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Diário da Corte (13)

Luiz Carlos Merten

20 de maio de 2013 | 20h46

CANNES – Não sei, sinceramente, se o Caderno 2 atual, com sua limitação, vai ter espaço para as trocentas entrevcistas que ando fazendo. Havia perdido o Kore-eda. Falei com ele hoje. Se já gostava de Tal Pai, Tal Filho, gostei mais ainda. Mas às vezes me pergunto se ainda acreditar no humanismo, nos sentimentos (por que não?), faz sen tido num mundo dominado pela frivolidade. Meu amigo Rodreigo Salem, espero que isso não crie problemas para ele na Folha – que é, afinal, um jornal muito esquisito e que dá, perfeitamente, ao contrário da propaganda, para não ler -, detestou o Kore-eda, mas não me atrevo a dizer que ele tenha gostado da Sofia Coppola, cujos personagens moderninhos, com m… na cabeça – imaginem, roubar sete vezes a casa de Paris Hilton, para se apropriar das bolsas dela -, têm a cara da concorrência. Confesso que hoje fiz, não propriamente forfait, mas me programei segundo minhas prioridades.; Tinha as materias do Caderno 2 para fazer, e terminei perdendo o Paolo Sorrentino – que vou recuperar amanhã de manhã, daqui a pouco pelo horário daqui -, mas nem se me cortassem a outra mão eu ia perder os filmes de hoje em Cannes Classics. Violência e Paixão, de Luchino Visconti, foi apresentado por Claudia Cardinale, e na sequência, Hiroshima Meu Amor, de Alain Resnais, por Emmanuelle Riva, já que o diretor está em Paris, filmando. Violência e `Paixão, Greuppo di Famiglia en Un Interno ou Conversation Piece, sempre foi, para minm, um grande Visconti – o último -, mas hoje fiquei siderado pela forma como Burt Lancaster representa com… as mãos! Lembrava-me sempre dse um momento no filme, quando Claiudiaa Cardinale, como a mulher do Professor, fala com ele, pedindo compreeensão, e Lancaster abre as mãos, num signo de desalento Clasudia lembrou que Visconti estava doente, confinado na cadeira de rodas (como Bernardo Bertolucci). Falava com dificuldade, mas tinha o movimento das mãos e imagino que Lancaster tenha mimetizado isso, ou foi o próprio Visconti que o induziu, porque nunca vi um ator representar tanto com as mãos. Ainda tentava me recobrar do efeito Visconti – e tinha a entrevista de Bertolucci no Estado de amanhã para formatar -, quasndo mergulhei fundo em Hiroshima. Emmanuelle disse umas coisas linda – que Hiroshimas era um filme qwue nunmca ia envelhecer, mas m,uita gente saiu durante a propjeção. Os que ficamos fomos muitos e demos à atriz a ovação que ela merecia, ou merece. Puta filme! Por que saíram aquelas pessoas? Na entrevista publicada amanhã no Caderno 2, Bertolucci comernta as mudanças técnicas e estéticas no cinema e diz uma coisa interessante – que o público que vê filme no computador ou no celular, ficou muito ansioso. Não tem mais tempo para sutilezass, é isso? Iasfazer uma pesquisa asntes de redigir o post, mas me esqueci. Não sei se Eiji Okada, que forma dupla com Emmanuelle Riva, ainda está vivo. Pelo menos para mim, é uma das imagens emblemáticas da virilidade na tela, tentando penetrar o passado da mulher e sendo persuasivo o suificiente para conseguir. Falar de Eiji Okada me libera para outra coisa. Descobri que a Fundação Japão de Paris – acho que é Institut Japonais – promove, a partir do dia 7 (de junho), umas grande retrospectiva de Tatsuya Nakadai. Era um dos sonhos da minha vida, que nunca fiz força para concretizar. Queria ir a Tóquio para entrevistar Nakadasio e escrever um livro sobre o grande astor de Masaki Kobayashi, Akira Kurosawa e Eiozop Sugawa. Com perdão de Yasujiro Ozu e Kenji Mizoguchi, Nakadasoi interp´reta paras mim o maiuor filme das história dfo cinema japonês – Rebelião, de Kobayashi, em que tem aquele duelo final com Toshiro Mifune. Nakadai ministrta uma master clçsass em Paris. Teria de ficar até 7 ou 8, não sei se consiogo – mas seria por uma boa causa. Para completar, meu amigo Dib Cartneiro, que viria a Cannes e depois Paris – Orlando Margarido e Elaine Guerini já haviam estabelecido uma extensa programação, incluindo uma ida ao teatro com Amir Labaki para ver uma Fedra quje est´[a arrebentando na capital francesa -, precisou ser hospitalizado em São Paulo e faz amanhã um cateterismo de urgência. Quando fiz o meu (cateterismo), em poucos dias estava na sala de cirurgia, operando o coração. Os médicos dizem que o procedimento é seguro, mas sabem como é… Vai ser seguro. Boa sorte ao Dib,. cujo irmão, Tadeu Carneiro, também foi hospitalizado para fazer cateterismo. É mole ou querem mais? São quase 2 da manhã daqui. Preciso dormir para acordar cedo (às 7). O filme de amanhã de manhã é o Liberace de Stevenm Soderbergh. Este é outro que o trem não pega porque não nentra, mas como os Coen tem seus defensores. É como eu sempore digo – tem gosto para tudo. Eu, que tenho o meu, assumo minhas, digamos assim, idiossincrasias.

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