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Dez +

Luiz Carlos Merten

27 de novembro de 2015 | 08h18

Depois de uma bateria de filmes bons – Chatô, o novo Tarantino e No Coração do Mar -, vi ontem dois tão ruins que caí do cavalo. Um é brasileiro, sorry, Oração do Amor Selvagem, e o outro é Victor Frankenstein, que reconta a história do monstro de Mary Shelley do ângulo de Igor, o assistente corcunda do dr. Victor. Botei na cabeça que o filme é O Jovem Frankenstein sem Mel Brooks, isto é, a sério. Ambicioso, cheio de temas transcendentes, mas um horror. E o pobre Daniel Radcliffe, me desculpem, também é um horror. Ele até se esforça, na fase pós-Harry Potter, mas é muito esquisito (e o outro papel marcou demais). Mas meu assunto é outro. Me pediram, no jornal, uma lista dos dez melhores filmes de todos os tempos. Demorei para fazer, acho que fui o último do Caderno 2, mas não por dificuldade de escolha. O problema desse tipo de lista é que as coisas se confundem. Os dez melhores viram os dez de que mais gosto, e não é a mesma coisa, tenho plena consciência. Existem alguns filmes básicos, que estão sempre presentes – Rocco e Seus Irmãos, Rastros de Ódio, Hiroshima Meu Amor, Cidadão Kane. Nas demais posições, os filmes variam. Selecionei – Rebelião, Morangos Silvestres, que voltou ao cartaz em versão restaurada, Era Uma Vez em Tóquio (ou Viagem a Tóquio), Psicose, M o Vampiro de Dusseldorf e A Primeira Vitória. Em geral, tendo a não colocar O Encouraçado Potemkin, que minha colega Regina Cavalcanti rebatizou como Couraçado Polenguinho (para provocar). Psicose é outra provocação. Tenho minhas dúvidas de que a cena da escadaria de Odessa, por mais admirada e imitada que seja, permaneça como a mais influente de todos os tempos. Creio, sinceramente, que foi substituída pelo assassinato de Marion Crane na ducha, mesmo que, para os votantes ingleses, o preferido do mestre do suspense – e o melhor filme de todos os tempos – seja Vertigo/Um Corpo Que Cai. Mas eu gosto do pulp fiction de Alfred Hitchcock e acho que o cinema atual, e esse ‘atual’ já tem décadas, é muito mais herdeiro das pesquisas de ‘Hitch’ que das de Sergei M. Eisenstein. Já estou me cobrando – como omiti Aurora, de Friedrich W. Murnau, que talvez seja o filme mais ‘perfeito’ já feito? Nenhum Chaplin? Onde foi parar Em Busca do Ouro? Se eu fizer outra lista amanhã, tiro algum desses dez e ponho Aurora, ou ponho Gold Rush. Mas tiro qual? Quais, para acomodar os dois?

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