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Deu barraco na abertura do Festival Latino

Luiz Carlos Merten

27 Julho 2017 | 01h12

Eu às vezes lamento ser tão intransigente nessa questão do celular, mas é por razões puramente profissionais. Ontem à noite, por exemplo – já é madrugada de quinta. Teria podido gravar tudo o que se passou na abertura do 12.º Festival de Cinema Latino-americano de São Paulo. Teria podido enviar um relato, mesmo breve, para o Estado online. Seria mais isento, talvez, em nome da sobriedade jornalística. Mas estou escrevendo no blog, e aí é diferente. Foi a mais animada de todas as aberturas de festival latino de São Paulo de que me lembro – 20 intermináveis minutos de vaias para o secretário Municipal de Cultura. Confesso que já tive mais respeito por André Sturm – como programador, distribuidor, exibidor, até cineasta. Tenho menos respeito por suas escolhas e alianças como homem político. A abertura do festival vinha na toada de sempre. Autoridades, patrocinadores. O cara da Petrobrás, do Santander. Subiam ao palco, davam o recado, o público aplaudia, mesmo sem vontade. Veio Sturm – em nome da informação jornalística tinha gente que gritava ‘estrume’. A plateia reagiu. ‘Não vai falar’, ‘Golpista’, ‘Fascista’. Como o prefeito que chama manifestantes contra ele de safados, Sturm diz que os fascistas são os outros. Não o deixam falar. É duro invocar democracia quando o secretário ameaçou quebrar a cara dos que estavam contra ele numa reunião oficial. Nós, o público, conhecemos muito bem essa democracia de mão única. O público queria que Sturm saísse do palco. ‘Fora!’, e com ele ‘Fora Temer’, ‘Fora Dória’. Sturm não arredou pé. Tentou falar e não foi ouvido. Vaia contínua. Sturm não leva jeito de quem vá deixar o cargo – pelo menos de livre e espontânea vontade. Temer é outro que vive permanentemente em reuniões para barrar as inúmeras tentativas para tirá-lo daquela cadeira. Temer tem mais um ano de governo. Sturm integra um governo que recém começou. Se ficarmos nessa quebra de braço, quem vai perder é a cultura em São Paulo. Pessoalmente, lhe daria a palavra. Aguentei o sr. das aflições e o atual ministro da Cultura, que ainda era diretor da Ancine, no Cine PE. Mas o Sturm posar de vítima também não dá. Quem começou autoritário, impositivo, ameaçando arrebentar foi ele. Está colhendo o que seu governo, e ele próprio, plantaram.