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Despedidas

Luiz Carlos Merten

29 de novembro de 2014 | 12h18

Morreram P.D. James e Roberto Bolaños. Confesso que sempre tive resistência à escritora inglesa, o que talvez se explique porque P.D., que morreu quase centenária – 94 anos -, escrevia seus policiais na contramão de meus preferidos, Agatha Christie e Georges Simenon. Terminei de reler no outro dia A Mansão Hollow e fiquei impressionado, mais uma vez, com a forma como Agatha mistura a densidade moral de Dostoievski com a leveza das narrativas, feito divertissements, de Maurice Leblanc. P.D. me parecia que ‘queria’ ser séria, ser densa. Seu policial poeta (Adam Dalgliesh) nunca me interessou muito, exceto em Causas nada Naturais, acho que seu único livro que li sem me forçar, como A Torre Negra e  Paciente Particular. O curioso é que estou na redação do Estado e, através do vidro, vejo que está passando na TV da sala de reuniões algum programa do Chaves. Roberto Bolaños morreu em Cancún, aos 85 anos. Não me perguntem por quê – não tenho resposta -, mas nunca acompanhei os personagens que lhe deram fama. Nem Chaves nem Chapolin nem o doutor Chapatin. Simplesmente não tinha paciência com ele, com sua inocência que me parecia calculada (e aborrecia). Mas não sou louco de não recohnhecer que Bolaños criou personagens inofensivos que divertiram gerações (no plural). Leio no próprio Estado que sua morte deixou o México em choque. Aqui mesmo no jornal. Tinha ido ontem a Alphaville, para ver um filme (Big Hero) na Cinecolor. Quando cheguei à redação, quase 8 da noite, depois de pegar um trânsito infernal, fui bombardeado porque todo mundo queria me dar a notícia da morte do Chaves. Decepcionaram-se, os meus colegas, senti. Esperavam que me emocionasse, mas não. Sorry, Chaves.