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Despedida de 2013

Luiz Carlos Merten

31 de dezembro de 2013 | 20h59

E cá estamos, a poucas horas de um novo ano. Pela manhã, fui ao Centro para ver, como sempre faço, a São Silvestre. Estava na São João quando passaram aqueles três quenianos. Corriam juntos, com uma elegância de príncipes. Parecia que não faziam esforço nenhum. Depois foi que a corrida se definiu. Desde que vim para São Paulo, há 25 anos – em dezembro de 1988 -, nunca deixei de assistir à São Silvestre. Encantou-me o filme de Lina Chamie, mas me encanta a corrida real. A persistência dos corredores de elite, a alegria dos que participam para se testar, para festejar, para curtir. E o público… As piadas, os aplausos. Eu me emociono – muito. Todo esforço humano é inspirador. Fui ao jornal, tinha vários textos para a edição de amanhã. Lançamentos de DVD e Blu-ray, uma retranca sobre George Cukor, homenageado com uma retrospectiva pelo Lincoln Center, em Nova York. Na já lendária confusão da minha casa, descobri esta semana que havia comprado dois volumes de um livro de entrevistas com o diretor. O volume foi organizado por Robert Emmet Long e o curioso é que devo ter comprado uma edição na França e outra nos EUA, uma em francês e a outra em inglês. Havia começado a ler, quando meu editor, Ubiratan Brasil, me pediu o texto para acompanhar uma tradução sobre a retrospectiva. Na Cahier de outubro, já contei, o lançamento em DVD de Ricas e Famosas presta-se a um texto muito elogioso sobre o cineasta. O filme é definido como a última obra-prima do meio século de cinema de Cukor e o redator lembra que, na retrospectiva que Locarno deixou ao grande George, na Piazza Grande, a exibição de Rich and Famous fazia sombra ao próprio céu estrelado. Todas as estrelas de Cukor… Numa das entrevistas coletadas por Emmet Long, Cukor comentava o culto de que era objeto na França, nos anos 1960. Dizia-se lisonjeado com a turma de Cahiers, mas, honestamente, não concordava muito com as análises, por mais elogiosas que fossem. De volta, em casa, dei uma zapeada e não desgrudei de E.T. – O Extraterrestre. Sob o impulso do filme, e de sua magia, catei na estante um livro, uma antologia de que participei, no Rio Grande do Sul, A Criança – Produção Cultural, do Brinquedo à Literatura. Houve uma primeira edição. Chamava-se A Produção Cultural para a Criança, organizada por Regina Zilbermann em  1982. O segundo volume, de 2003, foi organizado por Sissa Jacoby. Não sou muito de reler as coisas que escrevo, mas neste caso, como no filme de Spielberg, foi começar e não larguei mais, perdoem-se pelo que pode parecer presunçoso. Agora, estou aqui. Começou na TV paga Zelig, da grande fase de Woody Allen – a de Mia Farrow. Zelig precede A Rosa Púrpura do Cairo e os dois fizeram uma verdadeira revolução estética. Faço hora para o réveillon, que vou passar em casa de minha amiga Leila Reis. 2014 já está batendo à porta. Que seja um ano de grandes filmes. Para todos nós e para todos os gostos.