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Desabafo

Luiz Carlos Merten

05 de agosto de 2019 | 22h43

Lamento muito, mas não estou conseguindo dar conta de tantos eventos de cinema que estão ocorrendo simultaneamente em São Paulo. Nem me importo mais quando as matérias são deslocadas do impresso para o online, ou se ficam só no blog. O importante é que sejam lidas. Quis ir ao Cine PE porque achava que a mudança de curadoria poderia representar um ganho para um festival do qual sempre gostei, e que se tornou maldito para a maioria da crítica (com justificadas razões, diga-se). Se há uma coisa que sempre fui fiel foi às minhas paixões. Mas estava longe, com dificuldade de comunicação num hotel – chic – que não me permitia fazer ligações do quarto, de certo na suposição de que hoje em dia todo mundo tem celular. O problema é que não consegui negociar com a editoria do Caderno, o Festival de Cinema Judaico começou no domingo sem matéria no impresso e eu tinha tanta coisa para fazer hoje que nem no online consegui falar sobre o assunto. Ao ver o Macunaíma descobri que começa amanhã, 6, no Sesc Vila Mariana, um festival de cinema negro; na quarta, 7, será a Mostra Árabe e quinta, dia 8, a 8 1/2 Festa de Cinema Italiano. Eu até tento me multiplicar, mas o papel tem limite e o interesse no online é sempre uma surpresa para mim – o que vai emplacar, ou não. Eliana Souza, nossa pauteira no C2, me pediu que fizesse um textinho sobre 3 Vezes Amor, com Ryan Reynolds, na Sessão da Tarde desta segunda, na Globo, e o índice de leitura foi muito maior do que o de outros filmes, e matérias, não vou dizer que mais sérios, mas que eu gostaria, sinceramente, que mais pessoas tivessem lido. Confesso que me baixou uma tristeza, hoje. São motivos de ordem muito pessoal para eu ficar postando, mas a verdade é que estamos vivendo uma era de mudanças – institucionais, políticas, comportamentais. Maria Bethânia – É um tempo de guerra, é um tempo sem sol. Já atravessei outros, e sobrevivi. Sou um sobrevivente profissional. Ninguém com a minha má formação física teria sobrevivido sem vontade num mundo que é naturalmente hostil. Mas já fui mais forte, tenho de admitir comigo mesmo. Chega de tergiversação. O que estou precisando é de espaço – logo eu, que todo mundo diz que vive/vivo numa ilha de fantasia, com mais espaço diário do que qualquer outro jornalista da área. No Brasil, quiçá no mundo. Toda atenção ao Festival Judaico, à Mostra Árabe, à Festa Italiana. Onde mais culturas, etnias tão distintas poderiam subsistir simultaneamente? Em Manhattan, talvez. Em São Paulo, com certeza. O nome dessa cidade que adotei, ou me adotou, há 30 anos, é diversidade. Que continue sendo.

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