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Desabafo

Luiz Carlos Merten

23 de junho de 2016 | 10h26

Ando desanimado com meus posts. Sei que sou cabeça dura – nada de celular no bolso nem de foto no blog. A segunda decisão ainda é pior, porque, automaticamente, me exclui ou coloca em último em qualquer mecanismo de busca da rede. Se o sujeito, ou ‘sujeita, não procura meu blog especificamente… Sem chance! Mas, f…, sou eu, escrevo nem que seja para mim. Meu desânimo é de outra ordem. Arrastei o Dib para ver Como Eu Era Antes de Você na segunda-feira à noite. Um frio do cão, comemos no japonês do Gay Caneca, tomamos saquê (ô, beleza) e fomos ver o filme de Thea Sharrock com Sam Claffin e Emily Clarke. Gostei mais ainda, e olhem que já havia gostado bastante. Acho, e vocês vão achar que ironizo, um filme difícil. Porque é um filme sobre a construção do olhar, e o público não tem mais tempo para essa sutileza. O olhar de Sam, que se chama Will, sobre ‘Clark’, a Emily. Ele é um p… ator, mas sofre o preconceito de ser jovem e bonito. Tem gente que deve achar injusto – jovem, bonito e talentoso. Quem disse que a vida é justa? Querem outro exemplo? Encontrei um conhecido no Frei Caneca e ele estava saindo da sessão de Trago Comigo. Havia duas pessoas, ele e outro espectador, somente, vendo o filme de Tata Amaral. Me deu a curiosidade de perguntar na bilheteria. Ninguém para a próxima sessão. Tudo bem, Até o Como Eu Era tinha só um terço da sala, talvez menos. Era a última sessão da noite, segunda-feira fria etc. Tudo se explica mas não justifica. Gostei muito do filme da Tata. Todas as pessoas a quem tenho recomendado Trago Comigo gostam, o problema é justamente esse – motivar o público a ver mais um filme brasileiro. Estreia hoje o Paratodos, documentário de Marcelo Mesquita sobre atletas paraolímpicos. Diverti-me, emocionei-me, gostei. Você pode até se perguntar – por que eu, que sou inteiro, saudável (eu não, você, leitor), tenho de ver um filme sobre atletas paralímpicos? A resposta é bem simples – pelo mesmo motivo que o diretor Marcelo Mesquita, que também é inteiro, jovem, bonito e saudável, sentiu que tinha de contar essas histórias, no plural. É um filme (muito) bonito, com personagens guerreiros, apaixonantes. Ninguém é coitadinho ali. Vejam, pelamor de Deus. Vejam o Paratodos. Eu não gostei, mas vejam o Vampiro 40 Graus, vejam O Caseiro que também estreia hoje, como outra proposta de filme brasileiro de gênero, no caso, suspense (mais que terror). Não aguento mais essa rejeição, esses filmes entrando para o sacrifício. Gostei tanto de O Escaravelho do Diabo, de Marco Milani. Um infanto-juvenil inteligente, uma história bonita, bem contada. O público só quer grife. Todas as minhas amigas dizem que filhos, filhas e netos só querem ver Carrossel 2. Legal, conversei com Alexandre Boury. O filme dele é caprichado, tem uma vilã ótima (Miá Melo) e a garota que faz Maria Joaquina também é muito boa, meio vilazinha, pérfida. O problema não é Carrossel 2 repetir o 1 e fazer mais de 2 milhões de espectadores. O problema é 2 pessoas, apenas, vendo Trago Comigo. Qualidade não tem nada a ver com isso. Onde é que estamos errando? Independence Day – O Ressurgimento entra hoje como um rolo compressor. Mil salas! O próprio filme de Roland Emmerich tem seu interesse. Entrevistei ontem à noite Bill Pullman, que dá uma coletiva daqui a pouco e participa, à noite, do duplo formado pelos dois filmes, Independence Day e O Ressurgimento, no Allianz Park do Palmeiras. Falamos sobre Trump, Dilma e, claro, sobre Roland Emmerich, gay de carteirinha, que tira o personagem de Brent Spiner do coma e do armário e faz dele guerreiro contra os ETs. Todos aqueles pilotos, jovens e belos, declarando seu amor, perdão, amizade profunda, uns pelos outros, mas com as garotas – ‘pilotas’ – de prontidão, para provar que são machos. O filme é uma fantasia LGBT, e isso é novo em Hollywood. Tem de vir um alemão f…, o Sr. Desastre, e botar o p… na mesa, bancando sua utopia, que por esse lado é audaciosa, mas, por outro, Emmerich quer ser sempre mais ‘americano’ que qualquer diretor nascido nos EUA. Seu sonho é o mundo unido sob a bandeira dos EUA, The Stars and Stripes. Nesse sentido, é alienado, colonizado. E o mercado (brasileiro) é colonizado. E essa é a questão. That’s the question. Vou inverter o Zé Simão. Nóis goza, mas nóis ‘sofre’.

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