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Demy-esque! Ou Demy-niano? La La Land!

Luiz Carlos Merten

11 Janeiro 2017 | 09h02

RIO – Fui ver ontem pela manhã La La Land. Demorei um pouco para entrar no clima, mas quando virem o filme vocês vão entender. Tem uma cena, lá pela meia-hora, em que Emma Stone diz que não gosta de jazz e Ryan Gosling retruca – como assim? E ele fala, uma coisa tão bonita, sobre o conflito entre tradição e modernidade, que me apanhou. Entrei de cabeça, mas talvez seja melhor vocês pararem de ler ou lerem depois de ver, porque tem risco de spoiler no que quero dizer. Apesar das homenagens explícitas a Vincente Minnelli e Bob Fosse – a tradição e a modernidade do musical -, a essência de La La Land é demy-esque, como dizem os americanos. Jaques Demy! Os Guarda-Chuvas do Amor. Catherine Deneuve, para Nino Castelnuovo – ‘Je vous attendrai toujours’, Vou te esperar sempre, mas ela não espera. Agora, Ryan e Emma perseguem cada um seu sonho. Ele quer ter seu clube de jazz, ela quer ser atriz. Logram, mas a vida os separa e aqui a sutileza de Damien Chazelle. Eu te amarei para sempre. Se a vida é imperfeita, a arte pode ser perfeita. Paris, onde as pessoas amam o jazz. An american in Paris. A vida refeita como musical. Assim, como a meia-hora inicial me deixou frio, a final me produziu um gozo infinito. Chorei, porque é o que mais tenho feito. Virei um velho chorão no cinema. E sorry, pode até parecer exagero, Emma é boa, já ganhou o Globo de Ouro e pode até ganhar o Oscar, mas Ryan é gênio. Pqp! Estou escolhendo as palavras porque não quero estragar a surpresa de La La Land, e para mim o filme foi uma belíssima surpresa. Demy! Nós que o amamos tanto! Antônio Gonçalves Filho tem de ver o filme de Damien Chazelle. Sei até o momento em que ele vai me dizer, depois, que Damien vulgarizou Jacques. Mas é conceitual, para nos fazer refletir sobre o estado do mundo, sobre essa vulgaridade triunfante. Nem a arte mais é perfeita. Puta filme triste, o La La Land. Mas belo.