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Deixa nevar (mesmo que só na imaginação)

Luiz Carlos Merten

24 de dezembro de 2015 | 12h28

MONTEVIDEO – Nesta véspera de Natal não resisto a fazer uma galeria, mesmo que, no meu caso, seja sem fotos (e portanto, nessa sociedade da imagem que é a rede, talvez não seja, tecnicamente, uma galeria de verdade). Mas são filmes ‘natalinos’, em que o espírito da festa é retratado de forma amena, esperançosa ou brutal. Vou do décimo ao primeiro. E Feliz Natal para todos, mesmo que, eventualmente, alguns desses filmes sejam de forma a não pregar o olho a noite toda. Afinal, tem cada ‘bom’ velhinho…
10. Não Somos Anjos/Veneno de Cobra, de Michael Curtiz, 1955
Três presidiários, Humphrey Bogart, Peter Ustinov e Aldo Ray, planejam fugir e ainda promover um banho de sangue para roubar dinheiro, mas conhecem uma família a quem terminam por ajudar, como se fossem anjos da guarda.
9. O Dia da Besta, de Alex de La Iglesia, 1995
Padre descobre que o Anticristo vai nascer na noite de Natal, em Madri. Com a ajuda de um roqueiro satanista e de um apresentador de programas exotéricos na TV tenta impedir o apocalipse. De la Iglesia é um diretor cult, mas seu humor negro e transgressivo nunca funcionou melhor que aqui.
8. O Parceiro do Silêncio, de Daryl Duke, 1978
Duke fez o verdadeiro I.E. Inteligência Artificial – D.A.R.Y.L., sobre robô que quer ser menino -, mas sua obra-prima é esse thriller violento em que caixa de banco resolve ficar com parcela de dinheiro durante assalto e passa a ser perseguido pelo criminoso sádico. Elliott Gould, Christopher Plummer e o Papai Noel mais assustador do cinema. O bom velhinho como parceiro de Satanás…
7. Duro de Matar, de John McTiernan, 1988
O primeiro filme da série com Bruce Willis como John McClane. Ele viaja a Los Angeles no Natal, para encontrar a mulher, mas o prédio em que ela trabalha é ocupado por criminosos. McTiernan formatou o cinema de ação dos anos 1980 com esse filme e O Predador (o primeiro da série, que fez no ano anterior, 1987). Tiros, explosões, muito vidro estilhaçado e, na trilha, Let it Snow, cortesia de Vaughn Monroe.
6. Natal com Mickey, de Burny Mattinson, 1983
A mais insólita versão do Conto de Natal de Charles Dickens, em que Scrooge vira Rico McPato (Tio Patinhas?) para descobrir, com Mickey, Pato Donald e Pluto, que carinho, amizade e solidariedade – o espírito natalino – vale mais que todo o dinheiro do mundo.
5. Feliz Natal, de Christian Carion, 2005
Na Primeira Guerra, nas trincheiras, inimigos – franceses e escoceses de um lado, alemães de outro – depõem as armas e atravessam a terra de ninguém para celebrar o espírito do Natal. Quem não chorar é porque não tem coração.
4. Papai Noel às Avessas, de Terry Zwigoff, 2003
Chega de bons sentimentos. Billy Bob Thornton usa o disfarce de Papai Noel para, todos os anos, assaltar um cofre. Mas, neste ano, além da polícia, seu desafio é driblar o garotinho gordo e antissocial que acha que ele, embora bêbado, drogado e mulherengo, é o ‘Santa Claus’ de seus sonhos.
3. Gremlins, de Joe Dante, 1984
Zach Galligan ganha de presente um pet que parece de pelúcia, Mogwai. Mas ele não segue as indicações – não alimentar nem molhar o fofinho após a meia-noite – e Mogwai multiplica-se nos diabólicos Gremlins, que destroem a cidadezinha na noite de Natal. Cena emblemática – os Gremlins no cinema, vendo Branca de Neve e os Sete Anões, o clássico da Disney.
2. Esqueceram de Mim, de Chris Columbus, 1990
A família McCallister parte em viagem de Natal, mas esquece em casa o pequeno Kevin, que pega em armas (domésticas) contra dupla de assaltantes. Macaulay Culkin pode ter sido um astro fugaz, mas é inesquecível. O título brasileiro é muito melhor do que Mi Pobre Angelito, com que Home Alone foi lançado na América hispânica.
1. A Felicidade não se Compra, de Frank Capra, 1946
O clássico de Natal por excelência. George Bailey, no limite do desespero, pensa em se matar, mas um anjo que precisa fazer uma boa ação para ganhar suas asas lhe permite ver o que seria o mundo sem ele. Embora boa parte da crítica não veja com bons olhos os ‘ismos’ de Capra (democratismo, populismo, sentimentalismo etc),. ele foi um grande entertainer. E James Stewart e Donna Reed são geniais.

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