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Debate sobre O Orgulho, evento Estadão

Luiz Carlos Merten

18 de julho de 2018 | 09h44

Participei ontem no Belas Artes de um evento Estado. O jornal tem promovido pré-estreias seguidas de debates. Debatemos, o professor Gilberto M.A. Rodrigues, da Universidade do ABC, e eu, o longa de Yves Attal, O Orgulho, do qual gostei bastante. Já havia visto durante o Festival Varilux e, embora tivesse gostado, o final me havia desconcertado um pouco. Naquele momento, pensei numa coisa mais explosiva, mas ontem, revendo o filme, cresceu o personagem de Munir, o jovem árabe a quem Naila define como um príncipe, acrescentando que ele ainda não sabe disso. No intervalo entre a primeira e a segunda visão, houve a Copa do Mundo, que a França venceu, com um time predominantemente de imigrantes (ou filhos de). Mbappé virou herói, houve uma recepção triunfal ao time na volta a Paris, mas logo o pau comeu. A sonhada integração está longe de ocorrer. Continuo o mesmo romântico babaca de sempre – achei linda a forma como Neila arranca a declaração de amor de Munir -, e cada vez que penso nisso me vem o riso de Hector Babenco, depois de assistirmos a Malena, na Berlinale. Ele era jurado, nem podia comentar, mas me advertiu, brincando, que excesso de romantismo faz a gente ficar cego – ele queria se referir aos aspectos estéticos, que eu talvez não estivesse avaliando, mas é um Giuseppe Tornatore que eu defendo até hoje. De qualquer maneira, aprendi depois que a cegueira compromete, sim, os relacionamentos, mas essa é outra história. O filme é sobre essa garota árabe, da periferia, que um professor arrogante, cínico e racista, depois de humilhá-la perante os colegas, resolve treinar para um concurso de retórica entre estudantes de Direito. Por que ele faz isso? Ao descobrir, ela tem um choque, mas é Munir, o apaixonado, quem recoloca as coisas em perspectiva. Espero que esses debates continuem. Paula Ferraz, que faz a assessoria da Pandora, distribuidora de O Orgulho, disse que os 96 ou 98 ingressos da sala no subsolo se esgotaram em dez minutos. Luiz Zanin fez o primeiro debate. Esses encontros com o público são sempre estimulantes. Falar, mas também ouvir o outro. Os outros.