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De volta ao teatro. Mas esse Imortais…

Luiz Carlos Merten

23 de julho de 2017 | 23h25

Faz tempo que não vou ao teatro. Entre duas ou três opções, escolhi ver ontem Imortais. Ando na contramão de Denise Weinberg, uma atriz de quem gosto muito, mas com quem perdi a sintonia em suas escolhas mais recentes no palco. Desde As Criadas, não consigo gostar de nada do que ela anda fazendo, mas não vi Sintia, é verdade. No caso de O Testamento de Maria, nem era a peça de Colm Toibin, em si, mas o conceito do espetáculo. Sinto muito, mas não conseguia prestar atenção no texto, naquela briga das palavras com o acompanhamento musical. Quase fui ver O Testamento de Maria em Paris, onde estava, não sei se ainda está, na interpretação de Dominique Blanc, para conferir. Queria ver se a montagem francesa tinha o que, para mim, era o defeito visceral da de Ron Daniels, e esse senhor pode entender muito de Shakespeare, mas de encenação tenho minhas dúvidas. Enfim, lá fui eu ver a montagem do texto de Newton Moreno. Grandes elogios, como sempre – por Maria, Denise ganhou prêmios e mais prêmios. Desta vez, comecei encasquetando com o texto. Peça mais esquisita. Basicamente, um conflito de mãe e filha, uma montagem sobre como devemos perdoar nossos pais, por aí. Newton baseou-se num ritual de morte dos Açores, uma tal de ‘coberta da alma’, que consiste em usar uma roupa do morto ou morta, ser chamado como ele/ela e ir à missa do 7.º ou 30.º dia, tudo isso para franquear a chegada do falecido(a) no outro lado. A mãe, na peça, quer abdicar do mundo e se deita no cemitério, ao lado das covas do marido e de uma filha, à espera da morte. Aparece a outra filha, gêmea da que morreu. Para a mãe, a destruidora da família. Reaparece gay, com um filho e a companheira. Faz confissões, e aí empaquei. Tudo bem que seja gay, mas precisava ter sido abusada pelo pai? Virou gay por isso? Achei um despropósito. A companheira, lá pelas tantas, ameaça virar a protagonista, com extensos monólogos sobre o homem que almeja ser. E tudo isso com acompanhamento musical – de novo? – e atrizes que não têm boa dicção, e tropeçam no verbo, exceto Denise, óbvio. Dib Carneiro foi comigo, ou eu fui com ele, já que o espetáculo foi escolha sua. Encontramos Rodolfo Vaz, ex-Grupo Galpão, que veio a São Paulo justamente para fazer uma leitura do próximo texto de Newton Moreno, escrito para Yara de Novaes e ele. O que posso dizer? Que espero que esse próximo texto seja melhor. E Denise pode ficar tranquila. Eu não gosto e ela ganha um monte de prêmios. Ocorreu a mesma coisa com Ratos e Homens. Como espetáculo, achei bem fraquinho – e me lembrei da adaptação de Gary Sinise, baseada na peça que ele representou com seu grupo. Ratos e Homens foi, está sendo um triunfo. Prêmios e prêmios. Falo mal dos coleguinhas que se inebriam com a pseudo seriedade de Terrence Malick, mas a turma do teatro não fica a dever. Pai! É uma pena estarmos órfãos de Sábato Magaldi.