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De volta a Monument Valley, agora com os Coen

Luiz Carlos Merten

25 de janeiro de 2019 | 14h52

PORTO ALEGRE – Estou na casa da minha ex, a Doris, e ela tem Netflix. Fomos ontem, ao cinema para ver – eu, para rever – A Favorita. Jantamos, e ao chegar em casa aproveitei para ver os irmãos Coen. A Balada de Buster Scruggs. Mal o filme começou e eu tremi nas bases. De novo, Monument Valley! Pensei com meus botões que eles iam profanar John Ford, como profanaram Henry Hathaway no remake de Bravura Indômita. Seis histórias do Velho Oeste – o caubói cantor, o ladrão de bancos, o empresário do tronco humano, o garimpador de ouro, a garota na caravana de pioneiros e os passageiros da diligência. Justamente esse último episódio, pois se trata de um filme em episódios, Mortal Remains, resume o todo. Tem sempre alguém morrendo, o tom é desmistificador e o deslocamento – dos personagens no mundo – cria a sensação de instabilidade. Buster Scruggs cravou três indicações para o Oscar, que, somadas às dez de Roma, apontam para o que se pode reconhecer como uma vitória da Netflix. Neste sentido, gostei muito de ter visto Buster Scruggs, mesmo que não tenha gostado tanto do filme em si. Os Coen! Já entrevistei Ethan e Joel diversas vezes em festivais, já fiz one a one – one two – com eles, acho-os simpáticos, divertidos, mas os filmes… A falsa inteligência, a obviedade. O primeiro episódio define um padrão, e depois do que acontece com o caubói cantor você pode apostar o que vai ocorrer com o ladrão, o tronco humano, o minerador, a garota etc. Não tem erro. Só fica no ar o desfecho, com a chegada da diligência àquele lugar estranho, e o que salva é o humor – peculiar -, se bem que justamente a peculiaridade também estabelece um padrão previsível, na medida em que os Coen só sabem surpreender de um jeito. Se eu disser que eles me aborrecem, vão me achar louco, mas é a pura verdade. Que eu sou louco? Pode até ser, mas os Coen são um porre.

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