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De Thiago Silva, gigante da Copa, ao (tadinho do) Homem-Formiga

Luiz Carlos Merten

28 Junho 2018 | 09h43

Acho que os comentaristas da Globo não viram o mesmo jogo do Brasil que eu, ontem. Eles acharam a melhor atuação da seleção. Eu achei um jogo de m…, mas com dois gols sensacionais – o passe de Felipe Coutinho nos pés de Paulinho que, com a ponta do pé – Paulinho Bolshoi, cravou o Jornal Nacional -, mandou para as redes, e a cabeçada do Thiago Silva, que tem sido o meu herói do Brasil nesta Copa. Puta jogo sem emoção. Se o Brasil estivesse jogando tão bem não teria ficado segurando a bola depois dos 2 a 0 que garantiam a classificação. Teria corrido para tentar enfiar 5, como a Rússia, ou 6, como a Inglaterra. Lá adiante, o saldo de gols pode ser necessário, afinal é Copa. Se não quiseram arriscar, foi por medo. Sou futebolista só de quatro em quatro anos, admito, mas nesses dias me transformo. Vou misturar com cinema. Fui ver O Homem-Formiga e a Vespa, e não gostei. Logo no começo, quase saltei da poltrona. A mãe perdida no mundo quântico. Uau! Conflito familiar – achei que fosse para mim, mas o diretor Peyton Reed não é Zack Snyder, que transforma HQs em tragédias. Aliás, não tenho nenhuma vocação para a vida acadêmica, mas, como vocês sabem, estudei arquitetura e, se algum dia fizesse uma tese, seria sobre o espaço/tempo no cinema, com uma possível abordagem dos quadrinhos. Diversidade de planos, corte, montagem, OK, mas nem é a questão do movimento diferenciando as mídias que me atrai, e sim a profundidade de campo. Teria de voltar a Greg Tolland e Orson Welles e fazer um longo percurso – os clássicos: William Wyler, George Stevens, John Ford – para entender como o espaço foi sendo modificado pela mobilidade das câmeras e, agora, pelo CGI. Achei as piadas de O Homem-Formiga e a Vespa bobas, mas as pessoas, na sessão de imprensa, riam como se estivessem assistindo a uma comédia de Blake Edwards, e não serei eu a destruir o barato delas. Pior de tudo – o desfecho. O final tem de ficar aberto para uma (possível) sequência, mas esse me pareceu particularmente idiota. Até me diverti com o primeiro Homem-Formiga. Com esse, não. Gostei de ver Michelle Pfeiffer, apesar do cabelo. (Neusinha Barbosa tripudiou no fim da sessão.) E, em matéria de Peyton Reed, ainda sou Separados pelo Casamento, sua comédia com Jennifer Aniston e Vince Vaughn