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De perto ninguém é normal?

Luiz Carlos Merten

17 de fevereiro de 2018 | 19h40

Há mais de 20 anos, nossas feministas assimilaram muito bem o affair Woody Allen/Soon Yi, como se fosse a coisa mais natural do mundo que ele tivesse se envolvido com a filha adotiva da mulher, a atriz Mia Farrow. Woody fez seus melhores filmes com ela e Mia foi atriz de filmes cultuados de Joseph Losey, Roman Polanski e Peter Yates. Sua carreira acabou, depois disso. O tempo passou e os últimos meses têm sido difíceis para Woody, que viu a pressão aumentar contra seus colaboradores, e ele, por conta de velhas denúncias de abuso. Muitos de seus intérpretes recentes têm doado cachês dos filmes para se penitenciar pela ligação com o agora indesejável diretor. O bicho está pegando, e eu confesso que me entristeço porque Roda Gigante, banido do Oscar, me pareceu o melhor filmes de Woody em anos, incluindo Blue Jasmine. Mas por que estou escrevendo isso? Porque estou em casa, e hoje, esgotado o estoque de Agatha Christies, li partes da biografia de George Lucas – Uma Vida, por Brian Jay Jones. Lucas e a primeira mulher, Marcia, banida da vida dele e de Star Wars, mesmo que muita gente garanta que ela, como montadora, foi quem salvou a saga. Lucas, dedicado aos filmes, negligenciou a mulher, que encontrou a atenção que ele lhe negava em outra freguesia. Quando se divorciaram – e ele a fez esperar um ano, para não prejudicar o lançamento de um filme -, George cobrou dos amigos que a segregassem. Era Marcia, a quem não queria mais encontrar, ou ele. Ah, a natureza humana. Um caso similasr ocorreu com Clint Eatwood, que usou seu prestígio na Warner para truncar a carreira de diretora da ex-mulher, a atriz Sondra Locke. O caso foi parar no tribunal e Clint, na undécima horas, para evitar a condenação que parecia certa, admitiu a manobra ao propor acordo de compensação. A própria Warner teve de reembolsar Sondra, que sobreviveu a Clint, ao estúdio e ao câncer, contando tudo na autobiografia The Good, the Bad and the Very Ugly – A Hollywood Journey. Em fase de empoderamento, são tantas histórias vindo à tona. O duro é quando elas atingem artistas – pessoas – a quem admiramos tanto. É o velho ‘de perto ninguém é normal’.

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