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De Palma e sua obsessão por Alfred Hitchcock

Luiz Carlos Merten

15 Outubro 2015 | 07h50

Cheguei em casa ontem e me aguardava uma caixa de DVDs da Versátil. Akira Kurosawa (Kagemusha), Andrei Tarkovski (Solaris) e Martin Scorsese (Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Americano e Minha Viagem à Itália). Por uma quest~são de afinidade, prefiro a viagem de Scorsese pelo cinema italiano à do norte-americano, mesmo que ele resgate diretores B de Hollywood que me fascinam. Mas o que ele diz sobre Vittorio De Sica e meu amado Luchino Visconti é muito bonito. Scorsese também cultua Rocco, e eu aproveito para lembrar que a versão restaurada do filme estará na Mostra. Mas, enfim, por mais que todos esses DVDs de filmes sejam importantes, o que mais me interessou, de cara, no pacote da Versátil, foi o Brian De Palma. Trágica Obsessão/Obsession, de 1976, foi feito entre O Fantasma do Paraíso e Carrie, a Estranha. Embora seja conhecida a devoção de De Palma a Alfred Hitchcock e à cena do chuveiro de Psicose, Trágica Obsessão nliga-se a outro clásssioco do mestre do suspense, nas verdade, ‘o’ clássico, Um Corpo Que Cai/Vertigo, de 1958, que acaba de ser eleito (há uns dois anos) o melhor filme de todos os tempos. Cliff Robertson faz o homem cuja vida é destruída quando a mulher e a filha são sequestradas, e mortas. Numa viagem à Itália, a Firenze, ele conhece Genevieve Bujold, que é idêntica à morta. Como James Stewart em Vertigo, Robertson tenta trazer, no corpo de Genevieve, sua mulher de entre os mortos. Será sua trágica obsessão, como informa o título. Com fotografia de Vilmos Zsigmond e trilha do hitchcockiano Bernard Herrmann, foi, até onde me lembro, um filme de De Palma que me marcou muito quando o vi, na época. Já se passaram quase 40 anos e sou capaz de lembrar de cenas inteiras, Lembram-se de Kim Novak na floresta de sequoias em Vertigo? Genevieve viaja no passado, ou simula viajar frente ao Batistério de Florença. Não sei se tenho vontade de rever o filme ou voltar a Florença, cidade que amei. O filme é mais fácil. Já está na mão.