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De onde vêm os alienígenas?

Luiz Carlos Merten

29 de julho de 2013 | 23h15

Estou tentando até agora descobrir por que a Warner deu a Pacific Rim o título brasileiro de Círculo de Fogo. Em Portugal, é A Batalha do Pacífico, que me parece apropriado, senão realmente melhor. Afinal, já existe outro Círculo de Fogo – de Jean-Jacques Annaud, com Jude Law, que, na verdade, é o filme de guerra que Sergio Leone queria realizar, sobre a retirada de Stalingrado O filme de Guillermo Del Toro é uma mistura de Transformers com Avatar. O cinema nos condicionou a esperar alienígenas chegando do espaço  mas aqui eles vêm das profundezas do oceano.iMonstros emergem do mar e ameaçam a vida na Terra., São chamados der Kaijun, como os lendários monstros do cinema japonês – Godzilla, Godzilla, Godzilla. Para enfrentá-los, os terráqueos criam robôs gigantescos, os Jaegers, operados por uma dupla de pilotos conectados através de uma ponte neural, de cérebro para cérebro. Não gostei particularmente, mas me diverti e até me emocionei por dois motivos. Vamos por parte. Um amigo deu-se ao trabalho de digitar e me enviar por e-mail um trecho da crítica de Isabela Boscov, na Veja, em que ela põe no céu a japonesa de Wolverine. A mulher é horrorosa, como o filme, e eu até fiquei pensando, ao deixar o cinema – onde arranjaram uma figurinha tão insossa para fazer par com Hugh Jackman, mas depois cheguei à conclusão de que é isso mesmo. O gostoso é ele, é a lógica da indústria, e portanto a mulher não pode ser agressiva (sexualmente) nem bela demais, a menos que fosse para ser ‘objeto’, mas isso não funciona muito com Mr. Jackman. Gostei demais da dupla Charlie Hunnam/Rinko Kikuchi em Círculo de Fogo. Ele é viril, um belo exemplar de macho, e ela é o que há de sexy. Na lógica de Del Toro, ambos precisam funcionar como ‘dupla’, até mesmo sexualmente, e o final reproduz uma situação clássica de James Bond – vejam para saber qual, e como. Só que o aspecto mais interessante do filme não é este. Nos últimos tempos, Hollywood deu de fazer blockusters (épicos) intimistas. Já nem falo de Homem de Aço, de Zack Snyder, com sua situação familiar, mas em Círculo de Fogo temos uma relação entre irmãos, outra entre pai e filho, pai e filha e, no limite, o romance. Por que, agora, essa obsessão por heróis vulneráveis, apaixonados? Tenho minha interpretação, mas prefiro esperar pela(s) de vocês. Não sei se o filme terá pré-estreias, antes do dias 9, mas, em caso afirmativo, fiquem até o fim dos créditos. Del Toro, que já dirigiu Ron Pearlman em Hellboy, presta uma divertida homenagem a seu astro-fetiche. Mas o melhor do filme é a segunda chance de Raleigh, o herói (Hunnam) e ela vem por meio de Mako Mori (Rinko Kikuchi). Amei a dupla.

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