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De Niro, Bonello, Brizé e Chiha na nova Film Comment

Luiz Carlos Merten

26 de junho de 2017 | 10h21

Comprei o novo número de Film Comment nas bancas – maio/junho. Robert De Niro na capa, com direito a análise e entrevista em que o próprio reflete sobre os recentes rumos de sua carreira, o humor, a autoparódia. De Niro virou uma instituição de Hollywood. Na recente comédia com Anne Hathaway – Um Senhor Estagiário, de Nancy Meyers -, voltou ao espelho, repetindo, em outro nível, a cena emblemática de Travis em Taxi Driver. Não tem nada a ver, mas não consigo não pensar naquele espetáculo dantesco da votação do impeachment de Dilma Roussef no Congresso, primeiro na Câmara e, depois, no Senado. Todos aqueles deputados e senadores votando pela ‘Pátria’ (com maiúscula). Boa parte deles já está na cadeia e outros estão escapando graças à cumplicidade de seus pares. Essa gente não tem noção do ridículo, ou não se importa. Será que se olham no espelho? Repetiriam o discurso daquele dia para eles mesmos? Film Comment resgata um velho Henry James da Fox nos anos 1940, o gótico The Last Moment – de Martin Gabel, com Susan Hayward e Robert Cummings -, e põe nas nuvens dois filmes que quero muito ver. Em Paris, em fevereiro, quando voltei de Berlim, assisti ao trailer de Frères de Nuit. documentário de Patric Chiha sobre garotos búlgaros que se prostituem nas ruas de Roma para sustentar suas famílias. Não creio que seja o tipo de filme que será lançado aqui – já poderia/deveria ter entrado no É Tudo Verdade -, mas é interessante o que diz Michael Koresky em sua crítica. Chiha enobrece o tema por meio do estilo, seja lá o que isso significa. E ele cita Pier Paolo Pasolini, os ragazzi di vita, Rainer Werner Fassbinder e Kenneth Anger. Não só Film Comment. Cahiers, Positif, todo mundo tem elogiado Brothers of the Night, o título em inglês. O outro filme é Une Vie, que Stephane Brizé adaptou de Guy de Maupassant e esteve no Festival Varilux, como A Vida de Uma Mulher. Confesso que perdi, porque estava vendo outros filmes com pautas específicas para entrevistas, mas Antônio Gonçalves Filho, que viu, já me havia falado maravilhas. O consolo é que A Vida de Uma Mulher já passou legendado no Varilux e logo-logo estará entrando em cartaz, como já entraram Frantz e Na Vertical. Film Comment abre espaço para mais um filme francês – Nocturama, de Bertrand Bonello. Gosto muito de Bonello e estou muito curioso por esse novo filme, sobre o qual sinto que pesa uma espécie de conspiração (do silêncio) na França. Com o país sob ataques do terror, o discurso de Bonello vai contra a corrente – sob o título Blank Generation, Film Comment destaca o partido do autor, que é fazer com que jovens terroristas descubram que as forças da destruição e do consumo são igualmente poderosas, e alienantes. Já dizia De Gaulle, no discurso em No Intenso Agora, que o risco era a juventude, no vazio pós-Maio de 68, se alienar. Para quando a estreia do filme de João Moreira Salles? Dá um debate bem interessante, creio.

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