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De Neymares a Violas

Luiz Carlos Merten

08 de outubro de 2020 | 11h23

Anselmo Duarte estreou na direção com Absolutamente Certo!, sobre o linotipista qwuie partiocipava de um quiioz show sobre a lista telefônica. Ele havia decorado toda a lista. Conhecia os nomes dos usuários e seus telefones. Os quiz show marcaram os anos 1950. Lembro-me de uma participante que respondia dobre o profeta Maomé. Sabia tudo sobre ele. Anselmo criava suspense. Uma resposta errada, a decepção e, quando ele está deixando o auditório, o telefonema fdo usuário. A produção errara. O número estava certo! Já pensei muito nisso. Meu irmão poderia ter virado celebtridade respondenfdo sdobre times de futebol. De onde o Ildo tirou aquela capacidade de saber na ponta da língua a escalação de todos os times do Brasil? De seleções da Copa, então, ele sabia tudo e mais um pouco. Não sei se já contei essa história antes, mas creio que sim. Lembro-me dela cada vez que começam as eliminatórias da Copa e, depois, durante os jogos. Na passagem dos anos 1970 para os 80 trabalhei na editoria de Esportes de Zero Hora, em Porto Alegre, e foi um dos períodos mais felizes de minha vida. Era redator, e a experiência foi muito válida para o jornalista de cinema em que me transformei. Minha primerira matéria assinada foi no extinto Diário de Notícias, em janeiro de 1966 – há 54 anos! Dez anos de jornalismo diário depois, umas crise na Empresa Jornalísticas Caldas Jr., que editava a Folha da Manhã, me forçou a buscar guarida na RBS, onde fui acolhido no Esporte. Outros tempos, outra fase da minha vida. E por que estou lembrando? Porque no Brasil de Jair Bolsonaro, com Covid, desmatamento e todas as denúncias de corrupção envolvendo a dinastia no poder- parecem uma família real -, o Jornal Nacional de quarta, 7, tratou, como um de seus principais assuntos, do novo problema de Neymar. Esse é príncipe na arte de criar factóides. O sujeitinho tem sempre um problema que precisa ser compartilhado pelo país, seja na seleção, na vida pessoal ou no Saint Germain, a 10 mil km daqui. Mino Carta, na CartaCapital, já viu no avante medíocre – definição dele – um retrato do Brasil, um símbolo das ilusões de um país à deriva. O pior é que ele ainda é novo e tefremos de aguerntar mais um 20 anos o seu corpo mole. O único jogo em que Neymar não entra para perder é o da mídia. ‘Nossa’ (minha não) celebridade nacional está de novo criando suspense. Está mal – mas quando não está? Jogará? Houve um tempo em que jogar com a Bolívia seria treino para a seleção, agora, na era dos Neymares – socorro, rima com Damares -, virou adversária de peso. Ontem à noite, depois de redigir os dois posts anteriores, fiz o quê? Zapeei, e claro, dei com o Law and Order. Um caso de fertilização in vitro, em que um médico inescrupuloso usou os óvulos de uma mulher para engravidar outra. Birthright é o título. As duas mães vão à Justiça para disputar a guarda da criança. Christopher Meloni propõe a solução salomônica. Achei o episódio bem interessante, mas mais interessante ainda foi o elenco de apoio. Abigail Breslin, a menina em disputa, obviamente ainda não havia feito Pequena Miss Sunshine – que é de 2006, o episódio é de 2004 -, mas já era uma graça. Lea Thompson, a mãe de Marty McFly em De Volta para o Futuro, faz a mulher que chega para reclamar Abigail. Mas a grande surpresa para mim foi Viola Davis, como a advogada de Lea. Viola é uma das merlhores e mais estilosas satrizes negras de dua geração, mas na época desse Law and Order usava o cabelo cumprido e alisado. Confesso que me produziu estranhamento. A estética preta, e a própria Viola a adotou, usa o cabelo afro como afirmação de autoestima e negritude. Black is beautiful. Ainda não era, para Viola? Confesso que fiquei meio perturbado.

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