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De livros e autores, ou redescobrindo Augusto Meyer (Augusto quem?)

Luiz Carlos Merten

03 de maio de 2020 | 18h18

A vida é uma caixinha de surpresas – minha casa é um baú de surpresas. Todo dia penso em organizar essas pilhas de livros e revistas, essas montanhas de DVDs que ocupam as estantes. No outro dia, pensei em procurar o livro de Dib Carneiro Neto e Rodrigo Audi sobre Gabriel Villela – Imaginai!, Edições Sesc. Estava vendo a novela Fina Estampa, uma cena com Malvino Salvador, que foi o Boca de Ouro do Gabriel. Terminei desistindo da busca. (Faço um parêntese para dizer que novela é uma coisa muito chata. Até tento acompanhar, mas atualmente estou a ponto de desistir. Só tenho me divertido um pouco com Novo Mundo.) Hoje, buscando outra coisa, o Imaginai! (livro) literalmente me caiu em cima e junto veio uma enxurrada de livros do Dib com dedicatórias que, no retrospecto, ficaram… Falta-me a definição – curiosas? Veio também um volume da José Olympio, de 2007. Augusto Meyer, Ensaios escolhidos, seleção e prefácio de Alberto da Costa e Silva. Conhecia de nome esse poeta e ensaísta gaúcho, mas hoje, lendo suas observações sobre Dostoievski, Machado de Assis, Eça, Joseph Conrad, etc, fiquei pasmo. De que planeta surgiu esse homem, com essa pluma? Riqueza da escrita, a erudição e a precisão de quem leu em profundidade, não na orelha. Se eu já não tivesse passado dos 70 – classe de 45, grupo de risco – diria que gostaria de ser Augusto Meyer ao crescer. Sua escolha dos dez maiores romances e de Os Maias para representar a literatura de língua portuguesa porque Machado não seria genuinamente romancista, me deu o que pensar. E não é mera provocação. Tem fundamento! Ainda estava lendo o Augusto Meyer quando a Doris me ligou de Porto Alegre, dizendo que começava no canal Curta! um documentário sobre Alfred Hitchcock. Havia feito um destaque no impresso do Estado, mas esqueci do horário. Liguei correndo e não desgrudei o olho. O homem por trás do mito. Muito do que Augusto Meyer escreve, sem ser necessariamente biográfico, sobre Machado, mas buscando momentos pontuais, o Hitchcock também se inscreve nesse movimento. Posso não concordar 100%, mas fiquei fascinado. No caso do diretor, vi e revi seus filmes, li livros – e tenho muitos -, mas nunca havia visto as imagens da homenagem do American Film Institute ao mestre. Um Hitchcock envelhecido, consciente de estar chegando ao fim da linha. O abraço em Ingrid Bergman, ela tenta se desvencilhar, como quem diz ‘Chega!’, mas ele se agarra, feito naúfrago. Gostei demais (do documentário). E, com o Augusto Meyer, estou siderado.

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