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De camisa branca e cueca amarela, que venha 2019

Luiz Carlos Merten

31 de dezembro de 2018 | 22h27

Foi um ano duro, difícil, não preciso ficar repetindo. Neste 31, cumpri certos rituais. Pela manhã, fui ao Centro para ver a São Silvestre na Praça da República. Vi passar a vanguarda da prova feminina. Duas africanas que nem pareciam tocar o solo. Miúdas, elegantes, corriam feito gazelas. E logo em seguida o pelotão masculino, porque a vanguarda dos homens vem sempre em bloco, vários corredores – africanos, claro -, correndo juntos, ritmados. Neste dezembro completei 30 anos em São Paulo. Não creio que uma só vez tenha deixado de ver a corrida. Vi-a mudar de horário, de percurso, mas sempre me apaixona ver essa prova que é mais do que de resistência, como Lina Chamie mostrou em seu filme belíssimo. Fui depois para o jornal e agora estou em casa. Pela primeira vez neste tempo todo, pela primeira vez nos meus 73 anos, vou passar o réveillon sozinho. Nem inventem de ficar com peninha. Coloquei a cueca nova amarela, a camisa branca, disparei um monte de telefonemas para os sobreviventes da família e agora estou postando. Estou adorando. Moro num apartamento de fundos, e a sacada abre-se numa área descoberta, com vista para a Paulista, o que significa que terei uma visão privilegiada dos fogos. Prometi o texto justificativo das minhas escolhas de melhores filmes do ano, mas vai ter de esperar. Só quero desejar para todos – nós – um feliz Ano Novo. Que 2019 nos seja leve, e cheio de bons filmes e peças.

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