As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

De boca fechada. E meu tributo a Kim Ki-duk

Luiz Carlos Merten

12 de dezembro de 2020 | 11h00

Foi uma semana difícil, mas qual semana não está sendo nessa quarentena? Além da crise sanitária, o governo, a disputa entre o Dória e o Bolsonaro pelas vacinas. Bruno Covas desvencilhou-se do governador e o escondeu direitinho no segundo turno, mas na vitória o Dória não apenas reapareceu como fez o discurso mais longo da noite. Me engana que eu gosto. Tive de fazer ontem o necrológio de Kim Ki-duk, que morreu de Covid na Estônia. Na Estônia! Desde que foi denunciado por assédio sexual, o autor sulcoreano vinha sendo infernizado em seu país. Imagino que a decisão de mudar-se estivesse ligada a isso. Entrevistei o Kim algumas vezes – em Berlim e Cannes. Gosto muito de alguns filmes dele – Samaritan Girl, Casa Vazia, Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera. Permitam-me viajar um pouco. Meu primeiro sulcoreano – em Cannes -, antes até do Kim, foi o IM Kwon Taek. Houve um período em que todos os anos, ou a cada dois anos, lá estava o IM na seleção cannoise. Gostava dos filmes – Chunhyangjeon, de 2000, era um assombro -, mas me impressionava com a beleza dos atores e atrizes da Coreia. E eles chegavam com aquelas roupas coloridas. Que gente mais bonita! Aliás, estava pesquisando no outro dia e abriu uma janela – os 20 homens mais belos do mundo. Cliquei e fiquei surpreso com a diversidade da escolha – wasps, claro, mas também negros e orientais, muitos jovens sulcoreanos. Uma celebração de cores e raças. Alguns dias depois, encontrei outra janela – as 20 mulheres mais belas e aí a surpresa foi maior e, talvez, um tanto desagradável. Lindas, sem dúvida, mas uma lista conservadora, discriminatória, com beldades predominantemente brancas, loiras, acho que não havia nenhuma negra e certamente nenhuma oriental. Que coisa! O tal racismo estrutural é fogo. Volto à semana difícil. Tive de fazer uma cirurgia bucal na terça-feira. Há umas duas semsanas tive um problema com um implante dentário, que foi resolvido, parcialmente, pelo menos. Na sequencia tive outro mais grave. Um implante de dois dentes seguros num terceiro, e a dentista não fez tratamento de canal nesse dente que deveria afirmar o conjunto todo. Essa dentista chamava a Dilma de incompetente e pedia a volta dos militares, mas pelo que fez na minha boca é evidente que a incompetência era dela. Às vezes acho que devia denunciá-la para o conselho de Odontologia. Enfim, tive de fazer essa verdadeira cirurgia – extrair três dentes – três! -, ainda bem que lá do fundo. Ainda estou me recuperanndo, mas confesso que foi duro. Antibiótico, dor, comida fria e líquida, pu pastosa. O pior é que meu novo dentista, indicado pela minha querida Maria Fernanda Rodrigues, fala num período de seis meses de prazo para voltar a sorrir. Seis meses! Quando penso no Mandetta como ministro da Saúde, falando que atingiríamos a estabilidade de rebanho em setembro. Parecia que nunca chegaríamos. Quando setembro vier… Setembro passou e aí estamos. A Covid alastra-se, a devastação ambiental virou norma, a cada dia pipocam denúncias contra a família real de zeros que nos governa. Como se não bastasse, ainda estamos no meio dessa disputa política pela vacina. Quanto tempo mais até que possamos retomar nossas vidas?