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Daqui a pouco, os premiados da Mostra. E o Vinterberg!

Luiz Carlos Merten

04 de novembro de 2020 | 19h06

E chegamos ao encerramento da 44ª Mostra. Daqui a pouco, às 8 da noite, começa a sessão presencial no Parque do Ibirapuera. O Prêmio Humanidade vai para os funcionários da Cinemateca Brasileira, que resistem ao desmantelamento da entidade pelo governo Bolsonaro, inclusive com aquele episódio constrangedor que foi a indicação de Regina Duarte para um cargo que ela nunca assumiu. Walter Salles também recebe um prêmio, o da FIAF, Federação Internacional de Arquivos de Filmes, por sua dedicação à causa da preservação. Fiz uma entrevista bem bacana com ele que já deve ter subido no portal do Estado. Teremos ainda a premiação – o troféu Bandeira Paulista para o melhor filme de diretor estreante (até o segundo filme), outorgado pelo júri formado pelo diretor Felipe Hirsch, pela montadora Cristina Amaral e pela produtora Sara Silveira, que também recebe o Prêmio Leon Cakoff dessa edição. Só espero que não esteja tão frio como nas segunda-feira à noite, na apresentação de Ladrões de Cinema, de Fernando Coni Campos, quando quase congelei. Depois de tudo isso, para encerrar a noite, a Mostra apresenta o novo Thomas Vinterberg, Druk – Another Round. Se a Mostra de 2020 iniciou-se pelo signo da polêmica, com Nova Ordem, de Michel Franco, deve encerrar-se mais polêmica ainda. Druk vai na corrente Dos AA e, pelo que sei, conta a história de um homem que precisa se alcoolizar para fugir à miséria de sua vida. A Mostra também outorga esta noite o prêmio da crítica. Como a competição premia novos diretores, gostaria que o prêmio da crítica seguisse essa via. Os ‘meus’ filmes nessa edição foram Pai, do sérvio Srdan Gulobovic, e Pari, do iraniano radicado na Grécia Siamak Etemadi, e o brasileiro Glauber Claro, de César Meneghetti. Vou dizer agora uma coisa que pode ser mal-entendida. Adorei ver o Glauber Claro antes de rever Ladrões de Cinema. A equipe que
rouba o equipamento e faz um filme ideológico na comunidade – a saga dos Inconfidentes. A forma como Fernando Campos (não tem Coni nos créditos) constroi as cenas, uma coisa meio caótica, mas com foco político na desigualdade – em 1967! -, me lembrou muito o Glauber dirigindo o elenco, as instruções que ele dava a Juliet Berto – ‘Agora vai rolando por ali’, e ela rola no chão do Coliseu, em Roma, diante de turistas que terminam erntrando na imagem de gaiatos. Amei o Glauber Claro porque revela esse personagem singular que foi o Glauber sem sacralizá-lo, e também porque Meneghetti traça, por meio de seus entrevistados, um quadro fascinante da Itália nos anos 2970, um período de intensa transformação, quando o país sofria as consequências do terrorismo, o fascismo se rearticulava e o PCI perdia espaço no espectro político da nação. Certo estava o Paulo Moreira Leite no seu livro sobre a Lava Jato, ao advertir que a operação necessária para combater a corrupção poderia virar uma ameaça à democracia graças aos métodos da chamada República de Curitiba, a exemplo do que ocorreu com a operação Mani Politi na Itália. Estou querendo muito escrever sobre o vencedor do prêmio da crítica na Mostra, mas seria spoiler e iam querer me matar. Escrevo amanhã, e viva a Mostra!

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