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Daqui a pouco…

Luiz Carlos Merten

26 de janeiro de 2013 | 22h34

BELO HORIZONTE – Cá estou na capital mineira. Viemos hoje pela manhã, meu amigo Dib Carneiro e eu, o que significa que não estaremos em Tiradentes daqui a pouco, no encerramento da Mostra Aurora. Sheila, mulher de Inácio Araújo, integra o júri e eu espero que façam o que, para mim, seria a coisa certa, premiando ‘Matéria de Composição’, de Pedro Aspahan, ou mais ainda ‘Meus Dias com Ele’, de Maria Clara Escobar. É muito interessante como os filmes da Aurora dialogam entre si e se complementam, o que se deve a um trabalho acurado de curadoria. Salve Cléber Eduardo! As pessoas – muitas – reclamam do radicalismo da mostra, do seu caráter xiita. Eu mesmo volta e meia me surpreendo perguntando onde esses filmes vão passar, além daqui? No Canal Brasil? Em alguma sessão alternativa dos cinemas de Ademar Oliveira? Não estou pensando em termos de blockbusters, mas baseado na convicção de que o público – os cinéfilos – merecem ver esses filmes. É uma observação que faz o pai de Maria Clara Escobar,o dramaturgo e filosófo Carlos Henrique. O filme é uma viagem de Maria Clara em busca desse pai que se exilou em Portugal e com quem mantém uma relação algo distante – não sei se é a melhor definição. O pai é um erudito. Passa o filme brigando com a filha, inclusive dizendo como ela deveria fazer o filme. Numa cena, chega a sair de quadro. Fica a cadeira do entrevistado vazia e ambos batem boca ao fundo – nunca vi nada parecido na minha vida de crítico nem cinéfilo. Quando disse que os filmes dialogam entre si na Aurora, quero dar uma segunda chance para ‘Ventos de Valls’, de Pablo Lobato. Talvez tenha sido demasiado duro com o filme da Teia. Era o primeiro da Mostra Aurora, o diretor fez uma apresentação que não me convenceu e o próprio filme me desconcertou. Mas ‘Meus Dias com Ele’ me pediu um outro olhar para ‘Ventos de Valls’ e o cinema em geral. Carlos Henrique está longe de ser um personagem ‘simpático’. De certa forma, foi mais um entre os ‘loucos’ que abundaram na Mostra Aurora deste ano. Loucos? Mas o que é a loucura, se, de perto, ninguém é normal? Carlos Henrique questiona a filha, o tipo de documentário que ela está fazendo, mas, no final, conclui que ambos merecem esse documentário. Interroga-se se o público o merece? É maravilhoso como a diretora não apenas extrai do personagem o que ele não quer revelar – como foi torturado durante a ditadura militar -, mas como, no limite, ela e ele ganham os relativos partidos e o filme vira uma coisa visceral, emocionante. Estou nos cascos para saber quem ganha a Aurora, daqui a pouco. Em BH, fomos a um restaurante maravilhoso – Hermengarda. Meu Deus! Na República Dominicana e em Tiradentes, agora aqui, estou tendo um janeiro que é uma orgia gastronômica. Fui ao cinema rever ‘O Mestre’, de Paul Thomas Anderson. Era um diretor que me interessava – era. Entendo perfeitamente como e por que Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams foram indicados para os prêmios da Academia – como melhor ator e melhores coadjuvantes, respectivamente, Mas o filme, além de metido – Anderson claramente se superestima como ‘autor’ -, me parece uma m… Não vou dizer que tenha sido uma ‘tortura’, mas certamente não foi nenhum prazer.

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