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Daniel Clamp, e a caricatura saltou da tela, tornou-se real!

Luiz Carlos Merten

09 de novembro de 2016 | 10h11

Em 1984, Joe Dante fez um filme que se tornou cult, mostrando como um animalzinho doce, um tal de Gizmo, um mogwai, pode dar origem, quando certas regras não são seguidas, a um bando de monstrinhos degenerados, os gremlins. Durante uma noite selvagem, os gremlins promovem a destruição da pequena cidade e o diretor Dante aproveita para subverter o espírito natalino à Frank Capra – A Felicidade não se Compra -, criando um verdadeiro inferno de horror e humor. Algumas cenas tornaram-se antológicas – mamãe defendendo sua casa e torrando o gremlin no microondas, os monstrinhos no cinema, assistindo a Branca de Neve e os Sete Anões etc. Muita gente discute se o filme é infantil, infanto-juvenil ou se é melhor mantê-lo longe das crianças por sua selvageria desenfreada. A questão é que, seis anos depois, em 1990, Joe Dante filmou uma nova geração em Gremlins 2 e o filme não se passava mais numa cidadezinha interiorana romântica, mas em Nova York, num torre em que o casal de protagonistas, Billy e Kate, Zack Galligan e Phoebe Cates, está trabalhando. Os gremlins ficaram no passado – passado? Na verdade, Gizmo escapou do cativeiro e foi levado para a torre por cientista, que pretende dissecá-lo. Billy e Kate descobrem, tentam recuperar o mogwai e, no processo, a regra básica é transgredida (não molhar a criaturinha), e Gizmo se multiplica na nova geração de gremlins. Em 1990, a Trump Tower ainda era um acréscimo recente à paisagem de Manhattan e Donald Trump um bilionário conhecido por suas excentricidades e mulheres piranhas, como a loira platinada Ivana. A sacada de Joe Dante foi fazer do dono de sua torre uma caricatura de Trump. Daniel Clamp, interpretado por John Glover, é um mentiroso profissional que manipula a mídia descaradamente, e esse era o menor de seus defeitos. Há 26 anos, era engraçado e a gente podia morrer de rir no escurinho do cinema, na certeza de que Billy, Kate e Gizmo haveriam de resolver o problema e salvar Manhattan (e o mundo) dos gremlins. Passado todo esse tempo, a caricatura tornou-se real, Donald Trump elegeu-se presidente dos EUA (nesta madrugada) e uma nova era está começando. Começando? Rise of the right. Isso vem de longe, desde ‘Ron’ Reagan e da Dama de Ferro, pelo menos. E não adianta Trump negar o apoio da Ku Klux Klan. Seu discurso paras devolver a grandeza à América está baseado no conceito das supremacia branca, e por isso mesmo ele virou o preferido da América profunda. O maluco é que sua oponente, como Barack Obama, era mais confiável para Wall Street. Pessoalmente, com todas as incertezas representadas por ela, preferiria ver Hillary ocupar o endereço famoso, agora como big boss, e com ‘Bill’ a tiracolo. Mais do mesmo? Pode ser, masa pelko menos já sabíamos onde pisamos. Me deu vontade de rever Gremlins 2 para rir de Daniel Clamp. Não sei se os próximos quatro anos serão tão divertidos assim. A série ‘o horror’, o horror’ não termina. Como gremlin, não precisa nem molhar para se multiplicar.