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Da série (infinita) o horror, o horror

Luiz Carlos Merten

29 Dezembro 2014 | 13h28

Devo ser o último a comentar o assunto, mas acompanhei en passant o imbroglio provocado pelo affair A Entrevista, a comédia de Seth Rogen com o próprio e James Franco, sobre o assassinato do ditador norte-coreano Kim Jong-un. Como o filme pode ser visto on demand nos EUA, tenho colegas na redação do Estado que já viram (baixando ilegalmente, lamento informar, mas foi tudo pela notícia). Um deles me disse que o filme lembra o Coronel Kurtz, de Apocalypse Now. Ingênuo, perguntei – é bom assim? Nããaãoooo. O horror, o horror. Na trama do filme, dupla resolve incrementar programa de entrevistas e, ao saber que Kimzinho é fã do apresentador, consegue que ele seja entrevistado. A equipe desloca-se para a Coreia, a CIA entra em cena com um plano para matar o ditador que incomoda os EUA. Imagens do suposto assassinato apareceram no trailer e provocaram comoção – o ator que faz o papel de Kim é um clone perfeito. Uma equipe de hackers que se autointitula ‘guardiões da paz’ entrou no servidor da empresa produtora e distribuidora Sony, revoltada com o filme, que considera um ato de guerra. A coisa azedou. Os hackers vazaram filmes (Corações de Ferro), invadiram e-mails privados e divulgaram comentários maldosos da cúpula da Sony sobre astros e estrelas. Angelina Jolie seria ‘mimada’, Adam Sandler já deveria ter sido despachado etc. A todas essas, a Sony, que recuou de lançar o filme, está sendo alvo de uma campanha pela liberdade de expressão. A autocensura da empresa está sendo considerada insultosa. Se há coisa de que os norte-americanos se orgulham é de sua liberdade de expressão. Mas que liberdade é essa? Escrachar a elite internacionalmente impopular de um Estado totalitário? Todo esse rebu, segundo me contam, foi provocado por um filme de m…, que não vale o HD em que foi gravado. Me baixou a teoria da conspiração. Para algo essa cortina de fumaça tem de estar servindo. Para encobrir o quê? Talvez um dia a gente descubra. No recente O Mensageiro, de Gary Webb, com Jeremy Renner, a autocrítica da CIA sob Reagan, reconhecendo que havia usado dinheiro das drogas para ajudar os contras na Nicarágua, foi encoberta pela cobertura midiática para o boquete de Miss Lewinsky naquele sinhozinho da Casa Branca. O mundo está perdido.