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Da série infindável ‘O horror, o horror’

Luiz Carlos Merten

02 Dezembro 2018 | 08h40

Alguns colegas me leram trechos da entrevista de Olavo de Carvalho na concorrência. Alguns eram bem picantes, como quando ele ataca a escola partidária, o oposto da sem partido. As crianças iam lá para aprender a chupar (peitinhos?). O repórter podia ter lembrado que isso não se aprende, é atávico – crianças/animais/mamíferos em geral chupam os peitos das mães desde tempos imemoriais. Olavo de Carvalho me dá pena. Ele fala-fala, ataca-ataca e nunca o vi/ouvi dizer, nem naquele documentário que ganhou o Cine PE, uma daquelas sacadas de gênio que faziam a glória do finado Paulo Francis. Nos anos 1960, éramos godardianos de carteirinha – éramos quem? Nós, que queríamos mudar o cinema e o mundo – e PF fustigava. Sobre a erudição que Godard destilava nos filmes, dizia que era de ‘orelha’. Godard havia lido as orelhas dos livros, enquanto Ingmar Bergman – PF era louco por Persona/Quando Duas Mulheres Pecam – os lera todos. ODC me parece godardiano, nesse sentido. Estou sentado, esperando sua tirada de gênio. Vai demorar, eu sei. Mas, voltando à entrevista, muita gente considerou a chamada inofensiva. Havia tanta baixaria para titular, mas ficou algo como ‘No Brasil não existem intelectuais do meu nível’. Gostei, porque é bem ambivalente. ODC, megalô, se coloca no mais alto nível, mas dado o teor do que me leram, pode-se pensar também no baixo nível. É, meu amigo, não tem outro intelectual de tão baixo nível assim, é único. O Brasil é um espanto permanente. Quase 60 milhões assinaram embaixo do discurso de ódio do candidato eleito – que agora está maneirando -, 92% dos médicos acortdaram e querem ir para os igarapés da Amazônia, substituindo os nefandos cubanos, temos um ministro da Cultura que não é do ramo, mas toca berimbau, e um das Relações Exteriores que assume, como missão divina, libertar o Itamaraty do marxismo cultural. Enquanto isso, Paulo Guedes promete vender tudo para quitar a dívida pública. Não leva muito jeito de dar certo, mas, a essa altura, estamos torcendo. Nosso problema é que, no fundo do poço, vejam o post anterior, não está a redenção, mas o calabouço.