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Cuarón, campeão de indicações

Luiz Carlos Merten

22 de janeiro de 2019 | 12h27

Fizemos um live, Ubiratan Brasil e eu, comentando as indicações para o Oscar no Facebook no Caderno 2. Estou em êxtase Alfonso Cuarón cravou dez indicações para Roma, incluindo filme, filme estrangeiro, diretor, atriz e atriz coadjuvante, e é o recordista do ano. Já sabemos que Yalitsa Aparicio não leva, porque o páreo duro será entre Glenn Close/A Esposa e Olivia Colman/A Favorita. Meu medo é que, como outros recordistas, em anos anteriores, Roma não leve nada, ou leve o mínimo, que para mim seria filme estrangeiro e diretor. Cuarón abriu, com Gravidade, a overdose de premiações de diretores mexicanos na Academia, mas dessa vez, e no quadro da campanha do presidente Donald Trump para construir o muro separando EUA e México, o filme é mexicano, falado em espanhol, e com uma não profissional concorrendo ao mais cobiçado prêmio de interpretação do mundo. Pantera Negra, com sete indicações, e Infiltrado na Klan, com quatro, reafirmam a representatividade negra no Oscar e eu acho que a não indicação de Bradley Cooper para melhor diretor marca a trajetória ladeira abaixo de Nasce uma Estrela, já sinalizada pelo Globo de Ouro, no qual o filme só levou canção (Shallow), o que deve repetir aqui. Confesso que fiquei chocado porque Claire Foy não foi indicada como melhor coadjuvante por O Primeiro Homem, o que deixa o campo livre para a vitória de Regina King, por Se a Rua Beale Falasse, de Barry Jenkins, que eu também gostaria de ver mais representado, porque é um filme do qual gosto muito. Estou escrevendo este texto rapidamente, mas é evidente que as indicações sinalizam para uma mudança. Algo está se passando em Hollywood – no cinema mundial? -, e só o fato de termos três diretores estrangeiros entre os cinco indicados já espelha isso. Sendo a América, e Hollywood, uma terra de imigrantes, é possível que, pesquisando, se encontre uma alta incidência de imigrantes (ou de descendentes) entre os indicados, mas só o grego Yorgos Lanthimos concorre por um filme em língua inglesa (A Favorita). Cuarón e o polonês Pawel Pawlikowski, de Guerra Fria, concorrem por filmes em língua estrangeira. E, sim, o Brasil ficou fora da disputa, mas de alguma forma estará lá, porque Cafarnaum, da libanesa Nadine Labaki, é claramente um produto da experiência dela com não profissionais e crianças carentes do episódio de Rio Eu te Amo.

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