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Creed II, defendendo o legado

Luiz Carlos Merten

17 Janeiro 2019 | 00h55

SANTIAGO – O Chile não tem horário de verão, o que significa que estou uma hora atrás do Brasil. Começo a escrever meu post na quarta, mas para vocês já é quinta, e eu volto para São Paulo no início da noite. Por um estúpido jogo de empurra – quem vai fazer a entrevista na CCXP? -, deixei de me encontrar com Michael B. Jordan e ninguém, no Estado, fez a entrevista. Esse povo da Warner também merecia apanhar. Voltei hoje ao Costanera Center para ver Creed II. O mall, porque aqui eles não dizem shopping, estava lotado. A praça da alimentação dá umas dez – exagero um pouco – da do JK Iguatemi, que já é a maior de São Paulo. Quase subi de novo ao 62.º andar, para ver a vista (impressionante) de Santiago, mas preferi tomar um café e esperar pela sessão – havia chegado um pouco cedo. Rocky Balboa faz parte da minha experiência de vida, mais que cinematográfica. O personagem surgiu como emblema da era Jimmy Carter, no filme oscarizado de John G. Avildsen, mas Sylvester Stallone, como astro e roteirista, o converteu em outra coisa – em emblema da era RR, Ronald Reagan, fazendo com que os EUA vencessem na ficção a guerra do Vietnã, que haviam perdido na realidade (Rambo – A Missão) e fazendo da luta histórica de Rambo contra Drago/Dolph Lundgren a vitória definitiva do capitalismo norte-americano, não da democracia, sobre o comunismo agonizante da URSS no quarto filme da série. Lembro-me, na época, de haver, ideologicamente, batido no filme. Horror, horror. Só seria possível gostar de Rocky IV como guilty pleasure. A história agora é recontada do ângulo do filho de Apollo Creed. Stallone treinou Michal B. Jordan e ele virou campeão, mas da Rússia de Vladimir Putin vem agora o brutal filho de Drago, treinado pelo pai, para cobrar velhas contas, reabrir feridas. Com ele vem o pai, claro, Dolph, e até a mãe, Brigitte Nielsen. Ryan Cooglar produz, mas quem dirige é Steven Caple Jr., que eu não faço ideia de quem seja e estou com preguiça de procurar – quase meia-noite -, mas faz um trabalho competente. Adonis (Creed Jr.) aceita o desafio de Viktor (Drago Jr.), que o tritura no ringue e agora só Rocky, que se afastou dele, pode prepará-lo para a revanche. No percurso, Adonis virou pai – de uma menina surda como a mãe, Tessa Thompson. Adonis vai lá – em Moscou! – e alguém tem dúvida do que ocorre nessa revanche? Não, o filme não é o emblema da era Donald Trump, que, afinal, está enredado com o amigo Putin. O filme é sobre pais e filhos, sobre paternidade, sobre legados. E claro que gostei de ver, que chorei, etc. Jordan é melhor ator que Stallone jamais foi, ou será. Stallone, por sinal, interpreta Burt Young. E Dolph Lundgren, como diz a revista Empire, na sua review of the year 2018 – comprei no aeroporto -, é o ‘renaissance man’. Não apenas está em Creed II, mas também em Aquaman. Como Ivan Drago, Lundgren queixa-se que Rocky destruiu seu casamento, e Stallone, na vida, teve uma controvertida união com Brigitte Nielsen, que também foi a pérfida vilã de Stallone Cobra. Estão todos de volta – ela, naquele estilo andrógino que sempre lhe foi característico. Não vou conseguir falar de A Iguana de Alessandra, espetáculo chileno de Ramón Griffero que marcou minha despedida do Santiago a Mil 2019. Com saúde, espero voltar em 2020. Esse festival é bom demais.