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Coração de mãe (em lembrança de Debbie Reynolds)

Luiz Carlos Merten

29 Dezembro 2016 | 13h00

Um de meus últimos posts havia sido sobre Carrie Fisher, nossa (de todos que a amávamos) princesa favorita, Leia. Terminava o post com os votos de que a Força estivesse com ela e a fizesse superar a crise provocada pelo ataque cardíaco num avião. Na terça, 27, enterrei Carrie Fisher na capa do Caderno 2 e, de novo, desejei que a Força estivesse com sua mãe, Debbie Reynolds. Afinal, aos 84 anos, enterrar uma filha – nenhuma mãe merece. Cheguei hoje cedo na redação e Guilherme Sobota me perguntou se eu havia trazido a pá (de coveiro). Não entendi. Saí ontem para jantar com Dib Carneiro e Jussara Guedes. Ficamos comendo e bebendo até tarde e eu, aop chegar em casa, apesar do calorão ‘desmaiei’. Não sabia da morte de Debbie. Um dia após a passagem da filha, ela teve um AVC e, como disse o filho Todd, ‘mamãe e Carrie agora estão juntas’. É triste, mas é lindo. Quem deve ter sentido de verdade ´de Rubens Ewald. Rubinho amava Debbie. Contou-me certa vez de sua alegria em entrevistá-la. Já devo estar misturando. Rubinho entrevistou também Jean Simmons, que foi casada com Richard Brooks, um de meus diretores preferidos. De uma dessas velhinhas – das duas? – ele ficou segurando a mão. Invejei-o, a boa inveja. Debbie cantou e dançou na chuva com Kene Kelly e Donald O’Conncor e, como Molly Brown, sobreviveu ao naufrágio do Titanic em A Inconquistável Molly. No original, era ‘a inafundável Molly’, The Unsinkable Molly Brown, e até onde me lembro o musical do especialista Charles Walters era bem legal. Em 1971, Debbie teve seu grande momento dramático Obsessão Sinistra. What’s the Matter with Helen?, O que terá acontecido com Helen? Na vertente de O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, de Robert Aldrich, e escrito pelo mesmo Henry Farrell em que Bob se baseou, o filme é outro gran guignol sobre duas irmãs. Debbie e Shelley Winters tentam superar o passado sórdido abrindo escola para jovens talentos em Hollywood, nos anos 1930, mas tudo termina em sangue, carnificina e morte. Debbie filmou muito – A Conquista do Oeste, Mary-Mary, Dominique (sobre a freirinha cantora). Como sobrevivente da velha Hollywood, apareceu em um monte de documentários, de Busby Berkeley (sobre o diretor e coreógrafo) e Jack L. Warner – The Last Mogul a That’s Entertainment III. Para dizer a verdade, não me lembro direito do seu papel em Entre o Céu e a Terra, de Oliver Stone, mas me lembro de O Guarda-Costas, de Mick Jackson, onde ela conseguia marcar presença, face à virilidade de Kevin Costner, no auge, e ao vozeirão de Whitney Houston. Pode ser um prazer proibido, a guilty pleasure, mas se há um filme que revejo sempre é esse. Se estou zapeando e aparecem às imagens, paro tudo, à espera de que Kevin mostre na TYv seu filme favorito (Yojimbo!) e Whitney cante I’ll Always Love You. Há um momento muito lindo em Rogue One, quando Chirrut diz ao amigo que ele sempre poderá encontrá-lo na Força. Já vi o filme de Gareth Edwards três vezes – três! – e gosto cada vez mais mais. Lembro-me também de Luke Skywalker quando, no desfecho de O Retorno de Jedi, agora Episódio VI, vê todos os seus mortos reunidos na Força. Eu, que amo um melodrama, quero crer que Carrie e Debbie também estejam reunidas na Força.