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Conversando com… Liv Ullman!

Luiz Carlos Merten

09 de abril de 2015 | 11h55

Quatro dias sem postar. Neste ínterim, passei por uma hospitalização. Vou poupá-los dos detalhes, mas, na segunda-feira, sangrei feito um porco pela urina. Coágulos interditaram a uretra e eu travei. Quase morri de dor. Já estou em casa. Os médicos dizem que não tenho nenhum grande problema de próstrata que possa ter provocado tudo isso, e arriscam que a agressiva bateria de exames das últimas semanas (colonoscopia, endoscopia etc) possa ter tido algum efeito secundário – uma infecção, ou coisa que o valha. Ontem, do hospital, entrevistei Liv Ullman. No dia 21, estreia Senhorita Júlia, que ela dirigiu com Jessica Chastain e Colin Farrell, baseada na peça de Strindberg. Considero-me um privilegiado. Já me havia encontrado aqui mesmo, em São Paulo, com Liv, quando ela veio à cidade. Íamos conversar 20 minutos, ficamos 40. Contei-lhe que estava no hospital, ela, gentilmente, quis saber detalhes. Acabou a entrevista formal e ficamos conversando. Ela estava em casa, em Kay Largo, um lugar ótimo para escrever, segundo disse. Trabalha na adaptação para teatro de Confissões, que realizou a partir de um roteiro de Ingmar Bergman. A Real Academia Sueca lhe fez o convite, ela aceitou. A peça deve estrear no inverno sueco e, com sorte, algum desses festivais internacionais de teatro que se realizam no Brasil, ou o Sesc – alô-alô, Danilo Santos de Miranda -, poderiam trazer a montagem de Liv no ano que vem. Sobre o seu Strindberg, Liv me disse que nunca se sentiu próxima do dramaturgo e que a misoginia dele a incomodava, mais que isso, gerava uma aversão. Mas aí, ela foi fazer na Austrália Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, com Cate Blanchett – e conversamos sobre o Oscar que Cate ganhou fazendo uma variação de Blanche DuBois para Woody Allen. Pesquisando sobre as origens do Bonde, Liv descobriu que Tennessee se considerava devedor de Strindberg. Descobriu também que Eugene O’Neill, ao vencer o Nobel, admitiu possuir uma dívida com Strindberg. Tudo isso a levou a Senhorita Júlia e, quando, mais de dez anos sem filmar como diretora, os produtores lhe propuseram alguma coisa – o que gostaria de fazer? -, ela não pensou muito e escolheu Miss Julie, mesmo que já tivesse pronto outro roteiro sobre… Casa de Bonecas, de Henryk Ibsen. É seu sonho. Depois dos compromissos que já assumiu para teatro e outro livro que gostaria de escrever, fazer Casa de Bonecas, com Cate Blanchett, em filme. Perguntei se ela faria esse filme com os produtores de Senhorita Júlia e ela disse que não. Com esses, não filma nunca maios. Ricardo Teixeira, o mais internacional dos produtores brasileiros, bem poderia entrar nessa aventura para podermos ver, um dia, a Nora de Cate. Quem sabe?

 

 

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