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Conversa de frio, e a fronteira final chegando

Luiz Carlos Merten

18 de julho de 2019 | 11h24

Tenho trabalhado de casa, mas confesso que, mesmo para um gaúcho como eu, o frio anda enregelante. Moro num apartamento de fundos, no alto, com direito a vista. O problema é que só bate sol pela manhã, e cedo. Quando chega o Carlos, para a físio, às 9, o sol já se foi e o comentário dele, invariavelmente, é algo do tipo – ‘Como anda a vida no Pólo?’ Gelada… Como fui sempre turista em minha casa, só chegando para dormir, não me dava conta disso. Agora, que tenho ficado mais tempo, trabalhando daqui, a friaca me pega. Inveja, no bom sentido, da Dóris, minha ex, que neste momento, por volta das 11 h, está embarcando, em Porto Alegre, para Paris. Tenho postado menos porque, para dizer a verdade, nunca sei se sou lido, ou quão lido sou. Tenho feito muita coisa para o online, onde sei que me leem, inclusive sobre a sessão desta noite de Ordet/A Palavra,o clássico de Carl Theodor Dreyer, que revi em fevereiro, em Berlim, no IMS, e a nova programação do CineSesc, Noites de Barulho, que traz obras cultuadas, de aventura e fantasia, como E.T., Os Goonies, Gremlins e De Volta para o Futuro, o 1. Curioso pensar nos Goonies. Sempre gostei do filme de Richard Donner, escrito por Chris Columbus, mas estou pensando agora no elenco. Sean Astin, Ke Huy-Quan, Corey Feldman, etc, e hoje quem se destaca é Josh Brolin, que, garoto, já tinha aquela cara de Thanos. No sábado, 20, quando se comemoram 50 anos da chegada da Apollo 11 à Lua – em 20 de julho de 1969 -, o CineSesc interrompe as Noites do Barulho para celebrar outra seleção de filmes – Fronteira Final. Feitiço da Lua, Cher vencedora do Oscar, Nicolas Cage e a ária Che Gelida Manina, da ópera La Bohème. Depois, O Primeiro Homem, Ryan Gosling em nova parceria com Damien Chazelle, seu diretor em La La Land, agora como Neil Armstrong, o cara que deu aquele passo, pequeno para um homem, mas imenso para a humanidade. Se não fosse a frase de efeito, nós, que assistimos àquilo pela TV- meninos e meninas, eu vi -, teríamos captado o sentido épico do gesto? O filme revelou o que não sabia. Armstrong, religioso, perdeu a filha, uma menina, e foi tão longe para homenageá-la. Belo, e triste. O terceiro programa da Fronteira Final, às 8 da noite de sábado, será o melhor. Os Eleitos, de Philip Kaufman. Sam Shepard, o melhor piloto, preterido no programa espacial dos EUA, interpretado por Sam Shepard, sobe mais alto que qualquer outro homem, ao limite do espaço, de onde divisa a noite eterna e as estrelas. John Ford, a grandeza dos derrotados, e Kaufman filma a cena em paralelo com a exibição de uma famosa dançarina de burlesco da época. Miss Sally Ran, Clair de Lune. Qual pássaro emplumado, ela vai tirando a roupa – as plumas, que se confundem com as nuvens que o jato de Yeager vai furando, e ultrapassando, sempre mais alto. A única maneira de romper os limites do possível é tentando, e ultrapassando, o impossível. Arthur C. Clarke, adviser e parceiro de Stanley Kubrick na sua odisseia no espaço. Impossível não pensar em Sherlock Holmes, a genial criação de Conan Doyle. ‘Depois que se eliminou o impossível, o que sobrar, por mais improvável que seja, deve ser a verdade.’ Eu e minhas divagações.