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Confesso que adoro…retrôs!

Luiz Carlos Merten

19 de junho de 2013 | 11h23

SANTA FE, EUA – Não sou necessariamente um nostálgico, tipo Peter Bogdanovich, que, por volta de 1970, já achava que todos os bons filmes haviam sido feitos. Ainda não perdi, thanks God, a capacidade de me surpreender ou maravilhar. Mas confesso que adoro uma revista chamada Retro Cinema, totalmente voltada para o passado. Comprei aqui o número de junho. A capa é Straw Dogs, Sob o Domínio do Medo, de Sam Peckinpah. Conversei sobre ele ontem com Gore Verbinski, é com B (nao Vercinski), que também é fã do bloody Sam. Não sei se a revista existe online, mas não custa vocês tentarem. Tem uma página de arquivo bem interessante, para ser exato são três, sobre os policiais franceses dos anos 1960 e 70. Muito Jean-Pierre Melville, algum Henri Verneuil, outro tanto de Jacques Deray. E sempre Alain Delon, Jean-Paul Belmondo, Lino Ventura e Jean Gabin. Os durões made in France. Qualquer dia vou viajar na lembrança desses caras, prometo. A revista também lista os melhores filmes de 1985 (vou voltar ao assunto) e exuma um thriller mais antigo ainda de J. Lee Thompson com Gregory Peck. Chama-se The Chairman, não me lembro qual é o título no Brasil. Ah, já sei, A Grande Ameaça, de 1969. Gregory Peck faz um cientista que vai à China com a missão de roubar uma fórmula de colega chinês. A trama, neste sentido, parece a de Cortina Rasgada, de Alfred Hitchcock, com Paul Newman. Gregory Peck tem um encontro com o camarada Mao. O que ele não sabe é que um chip foi instalado em sua cabeça e pode ser acionado a distância. Há 40 e tantos anos, a crítica caiu matando. Eu devo ter falado mal do filme na Folha da Manhã, em Porto Alegre. Afinal, naquela época Jean-Luc Godard ditava as cartas – e o livrinho vermelho do camarada era o farol em A Chinesa. O mundo mudou tanto que não duvido que seja verdade o que diz Lee Philips, autor do texto de Retro CInema. The Chairman está melhor que nunca, ele garante. E atual. Nada como as voltas que o mundo dá.

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