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Claudia!

Luiz Carlos Merten

03 de novembro de 2012 | 10h17

Quando encontrei Fernando Trueba no Rio – ele apresentava ‘O Artista e a Modelo’ no festival -, o assunto caiu em Claudia Cardinale, que faz a mulher do escultor (Jean Rochefort). Falçei do meu amor por Luchino Viscontfi, que deu a Claudia seus mais belos papeis, mas também de Richard Brooks (‘Os Profissionais’), Valerio Zurlini (‘A Moça com a Valise’) e Luigi Comencini (‘La Raggazza di Bube’), que também lhe ofertaram personagens inesaquiecíveis. Trueba me disse que Claudia era uma contadora de casos, que nunca se dioverrtiu tanto ouvindo histórias de grandes diretores como nbo seyt de seu novo filme. Mal sabia eu que, menos de um mês depois, estaria sentado com Claudia no Hotel Tívoli. Homengerada da Mostra – com o trreoféu Leon Cakoff -, ela deu algumas individuais. Ficou decidido que seria nossa capa de quinta, no ‘Caderno 2’, mas eu terias de ser rápido. A entrevistas estava programada para começar às 11h45 (de quarta) e o fechamento é às 14h30. A entrevista atrtasou – Lei de Murphy -, saí do hotel 15 para a uma, por aí. Não daria tempo de chegar ao jornal, corri para minha casa, em Pinheiros. Cheguei 13h05. Tinha um texto de 3 mil caractyeres nas capas e outro de 6 mil lá dentro. Vamos lá. Detesto redigir no laptop, poprque a distância entre as teclas é muyito reduzxida e eu cometo mais erros de digitação (vocês sabem). Cada vez que eu parava o texto e voltava atrás para não perder o fio da meada, suirtava. Os erros de digitação eram m,uitosd. Havia palavras que nem eu mais entendia. Imagino que tenha sido um sofoco para o povo da redaçãio, também, mas deu tudo certo, fechamos no horário e a matéria ficou boa. Como não ficar? Às vezes tenho essa sensação de que cheguei tarde, infelizmente, porque ser tivesse tidoi o pfrivilégio de conhecder Visconti, o grande, ele se teria rendido ao meu charm,e. Vocês acreditam no que estão lendo? E eu estou mesmo dizendo isso? Mas Suso Cecchi D’Amico, a roteirista, a amiga de Luchino, foi tão carinhosa comigo, me deu seu telefone em Roma e várias vezes batemos papo quando eu precisava de informações de bastidores sobre o cinema italiano. Claudia foi ótima. Disse que, quando menina, queria ser guri e vivia enchendo os garotos das ruas de Túnis, onde nasceu, de porrada. Ela deixou no ar que Visconti, gay assumido, sublimava seu desejo pelos belos que colocava em seus elencos – Alain Delon, Jean Sorel -, por meio dela. Visconti era muyito preciso. Em ‘O Leopardo’, queria que ela enfiasse a língua na boca de Delon e que op plano seria p´róximo para que a câmera pudesse mostrar isso. Claudias falou com carinho dos granmdes filmes, dos granmdes diretores. Conversamos bastante sobre Mauro Bolognini e eu tenho viajado, desde entãso, nas minhas memórias de cinéfilo do grande regista. Bolognini é chamado de Visconti menor, mas era um esteta. Gostaria muito de rever seus grandes filmes com Claudia, ‘La Viaccia’, Caminho Amargo, e ‘Senilità’, Desejo Que Atormenta, ambos adaptações (de Vasco Pratolini e Italo Svevo). Tenho um carinho espercial por uma cvomédia que Bolognini fez em 1959/60, com Totò e Laura Adani. ‘Arrangiatevi’, A Casa Intolerante, é contemporâneo de ‘O Teto’, de Vittorio De Sica. Ambos enfocam o problema da falta de moradia, grave na época. De Sica o faz no seu estilo miserabilista, e isso não é necessariamnente uma crítica, só uma observação. Bolognini recorre à chave do humor. Totò e Laura Adani procuram casa, encontram uma que está dentro das condições (embora seja um palácio). Era um bordel, frequentado por marinheiros, homens de negócios. O casal tem belas filhas,  todos os machos correm atrás delas até o desfecho, um discurso emocionado e emocionante de Laura, quando ela põe todo mundo para correr, diz que aquela é uma casa honesta e berra – ‘Arrangiatevi’, o título. Arranjem-se! Havia visto ‘A Casa Intolerante’ em Porto, revi na Sala Cinemateca em São Paulo, no tempo da Fradique Coutinho, o que me leva a suspeitar de que eles tenham uma cópia. Pobre Bolognini – seus filmes de época são comparados a Visconti e, invariavelmente, a comparação não lhe é favorável. As qualidades de ‘O Belo Antônio’, ‘A Longa Noite de Loucuras’ (La Notte Brava) e ‘Um Dia de Enlouquecer’ são creditadas ao roteirista Pier Paolo Pasolini, e ele, nesta história toda, onde e como fica? Claudia confessou-me que teve, quando jovem, dois ídolos – Brigitte Bardot e Marlon Brando. Arrepende-se até hoje de bater a porta na cara de Brando, quando ele foi procurá-la no hotel, tarde da noite, com flores e uma garrafa de champanhe. ‘Che stronza!’, mas que idiota, definiu-se. Implícito estava que ela deve ter-se divertido muito, com todos aqueles bonitões com quem filmou. Achei legal, o que não coloquei na matéria do jornal, quando lhe perguntei se ainda era casada com Pasquale Squittieri, o diretor com quem mais trabahou. ‘Nunca casei com ele, Pasquale é só o pai do meu filho”, respondeu. Como BB, Claudia não tenta esconder a idade. Seus 73 anos estão na cara. O sorriso e a voz rouca continuam magnéticos. Não creio que, com mais tempo, eu tivesse feito uma entrevista melhor. De alguma forma, creio que ela já existia no meu imaginário. Foi como Alfred Hitchcock dizia das filmagens – passar o roteiro pela câmera. Colocar na página algo com que sempre sonhei.

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