Clássicos
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Clássicos

Luiz Carlos Merten

05 de fevereiro de 2014 | 20h12

BERLIM – Nem tive tempo de contar que, no meu voo para Paris, consegui assistir a dois filmes. As estreias não me interessaram. Fui aos clássicos. Por Uns Dólares Mais, de Sergio Leone. Clint Eastwood ficou tão famoso por seus papeis como Estranho sem Nome dos spaghetti westerns de Leone que a gente até se esquece de que Lee Van Cleef e Gian-Maria Volontè dividem a cena com ele. Ao contrário de Clint, que conseguiu emplacar na TV dos EUA – Rawhide – e, por isso, foi chamado por Leone, Lee Van Cleef sempre teve aquela carreira de segunda, praticamente um figurante, nos westerns de Hollywood. Mas ele era bom demais, e se Clint. O estranho, age por dinheiro, Van Cleef, embora seja bounty killer, é obcecado pela vingança. O relógio com música antecipa a harmônica de Charles Bronson. Deus! Tenho a impressão de que poderia ficar vendo aqueles filmes para sempre, com aquela(s) trilha(s) do Ennio Morricone. Terminado Por Uns Dólares Masis, dormi e, ao acordar, tinha tempo para ver mais um filme antes da chegada a Charles DeGaulle. Rouben Mamoulián, Rainha Cristina; ou Jean Vigo, Zero de Conduite. Fui no Vigo, que, além de tudo, é mais curto, mas estou me programando para ver Mamoulián na volta. Por falar em ‘clássicos’, Paris est´sa uma fesata – corrigindo, Paris é sempre uma festa. Voltaram em cópias novas dois filmes do começo da carreira de Warren Beatty. Já citei Lilith, de Robert Rossen, com Jean Seberg, mas tem também Mickey One, de Arthur Penn, considerado demasiado nouvelle-vague, na época, mas que também está sendo revalorizado. Vou querer ver os dois, se der, mas minha prioridade está na Cinemateca Francesa. Do começo de janeiro até o final de fevereiro, a Cinemateca apresenta todo Henry Hathaway. Sempre gostei dos policiais e westerns de Hathaway, e sempre lamentei que, embora grande – como era -, ele nunca tenha entrado para o panteão dos maiores, com John Ford, Howard Hawks e Raoul Walsh. Preciso entrar no site da Cinemateca Francesa para conferir a programação. Existem muitos filmes que gostaria de rever, mas quem sabe consigo assistir ao mítico Peter Ibbetson, adorado pelos surrealistas, com Gary Cooper? Como se não bastasse isso, A Casa da Cultura do Japão em Paris também está promovendo, pelo mesmo período, outro ciclo de pirar cinéfilos – Les Splendeurs de la Daiei, com grandes filmes que fizeram a história do estúdio. Muitos de Kenji Mizoguchi e Kon Ichikawa, alguns de Mikio Naruse e Yasujiro Ozu. Quem sabe a Fundação Japão e/ou a Mostra não levam essa programação para São Paulo? á pensaram?

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