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Gramado 1/Clara clareou, e a noite foi de Sonia

Luiz Carlos Merten

27 de agosto de 2016 | 01h08

GRAMADO – E começou o 44.º Festival do Cinema Brasileiro e Latino, não com a competição, mas com a homenagem a Sonia Braga e a apresentação, fora de concurso, de Aquarius. Sonia esteve gloriosa. O festival montou um sistema de múltiplas telas no palco do palácio. Acompanhamos, nós, o público, a chegada da estrela e sua longa caminhada pelo tapete vermelho, enquanto os demais telões exibiam imagens de seus clássicos. Dona Flor, A Dama do Lotação, Eu Te Amo, O Beijo da Mulher Aranha, Tieta do Agreste. Quando, finalmente, entrou na sala, Sonia foi aplaudida de pé. O troféu Oscarito lhe foi entregue por um amigo, Bruno Barreto, para quem ela foi duas heroínas de Jorjamado, Florípedes e Gabriela, a do cravo e canela. Bruno ajoelhou-se perante ela e, por menos que goste de fotos no blog, essa valeria a pena, pelo teor simbólico. Veio o filme de Kleber Mendonça Filho. Não sei se gostei mais que em Cannes, mas com certeza gostei muito. Muito! Aquarius vai para os meus dez mais do ano. Divide-se em três partes – O Cabelo de Clara, o Amor de Clara, O Câncer de Clara. Clara é a personagem de Sonia, que desafia o poder econômico do Recife representado pelo herdeiro de um império imobiliário. Kleber lembrou como essa semana foi intensa para ele. Falou de política pela tangente – Aquarius é um filme de amor, e sobre o direito de exercermos nossa cidadania. Curto e grosso. Presentes na sala o ministro da Cultura, Marcelo Calero, e o secretário do Audiovisual, Alfredo Bertini. A plateia foi ruidosa – começou gritando ‘Fora, Temer’, mas foi esquentando e, no final, já era ‘Morra, Temer’. O ministro foi chamado de ‘pelego’. No final, nem deu para saber se havia gostado. Sumira. A esse ponto chegamos. No jantar, Luiz Zanin Oricchio me mostrou a mensagem que recebeu pelo celular. O editorial do jornal francês Le Monde. “Se não é um golpe de estado, é uma farsa (o julgamento do impeachment de Dilma Roussef) e quem vai pagar o preço é o povo brasileiro.” Quem viver, verá.

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