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Ciranda reverencia mestres, referências para era de incertezas

Luiz Carlos Merten

09 de junho de 2016 | 08h33

Fui ontem à abertura da Ciranda de Filmes. Pela manhã, já tivera a coletiva com a delegação que veio da França para o Festival Varlilux. Embarco daqui a pouco para o Rio, para fazer lá minhas entrevistas com Roschdy Zem, Dominic Guay, Lou de Lâgge, Virginie Efira etc. Espero dar notícias, mas não vou levar o laptop, o que sempre complica a entrada no blog – sem o atalho instalado nele, e no meu computador no jornal, a senha volta e meia me nega o acesso. Estou muito interessado em falar principalmente com Roschdy, ator e diretor que já tem história no cinema francês. A abertura da Ciranda parecia uma festa de casamento. Comida e bebida demais, o que, para mim terminou sendo um problema. Passo. A Ciranda, promovida por Patricia Durães, a senhora Ademar Oliveira, e Fernanda Heinz Figueiredo, tem esse nome que sugere filmes para crianças, mas, na realidade, é um evento artístico-pedagógico que pretende refletir sobre a infância, sua cultura, o cinema e a educação. Numa época de crise, a Ciranda volta-se para os mestres – referências para um tempo de incertezas. É uma pena que esses eventos terminem batendo. Assim como o Varilux traz convidados e abre uma janela para a reflexão e a própria permanência da cultura francesa no País tão colonizado por Hollywood, a Ciranda também tem seus convidados, exibe filmes novos, realiza seminários. (No Rio, haverá na sexta um de crítica, esquecia-me, com Jean-Michel Frodon.) É curioso como os filmes dialogam no nosso imaginário. Vi em Cannes Captain Fantastic, de Matt Ross, com Viggo Mortensen, sobre esse pai que cria os filhos de forma alternativa, na floresta, e isso provoca tensões quando a família é forçada a voltar à ‘civilização’. A Ciranda exibe, entre muitos filmes, Todo o Tempo do Mundo, de Suzanne Crocker, e a própria diretora vem falar de seu filme experimento, já que o marido e ela pegaram os filhos e durante quase um ano foram viver em condições bastante primitivas na Península do Yukon, no Canadá, em pleno inverno. Suzanne documentou o processo. Interessei-me também, só de olhar o material, por um filme mongol, A Caverna do Cachorro Amarelo, de Byambasuren Davaa, sobre uma garota que adota vira-lata e o pai acha que ele vai atacar as ovelhas que são o patrimônio da família. Mas são escolhas muito pessoais, que podem nem refletir o melhor da programação. A Ciranda dura apenas quatro dias – vai até domingo, 12. Espero que ainda tenha tempo de ver alguma coisa, ao voltar do Rio. Já que reverencia os mestres, a Ciranda resgata filmes como Balão Branco, de Jafar Panahi, Billy Elliott, de Stephen Daldry, Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, A Encantadora de Baleias, de Niki Caro, Mary Poppins, de Robert Stevenson, O Serviço de Entregas da Kika, de Hayao Miyazaki etc – e só esses já mereceriam/merecem revisão. Confesso que gostaria de rever Mary Poppins na tela grande, até porque a última de Tim Burton é uma ‘Scary Poppins’, que ele está fazendo com Eva Green, Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, para lançamento ainda este ano (para concorrer ao próximo Oscar). Entre o Varilux e a Ciranda, deixo vocês com uma recomendação (uma expectativa?) – bons filmes!

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