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Cinema samurai

Luiz Carlos Merten

30 de novembro de 2013 | 11h50

Não tenho conseguido dar conta dos numerosos lançamentos em DVD e Blu-ray que tenho recebido. O Instituto Moreira Salles me enviou o caprichado DVD com o lançamento de As Praias de Agnès, de Agnès Varda, biscoito finíssimo, mas tenho de admitir, comigo mesmo, que até issdo ficou ofuscado perante o que me ofereceu a Versátil. O selo lançou Sob o Domínio do Medo, de Sam Peckinpah, e outro filme que permanecia inédito no Brasil, Les Soeurs Brontë, de André Techiné, em que Roland Barthes faz Thackeray e Isabelle Huppert, Isabelle Adjani e Marie-France Pisier interpretam as irmãs que entraram para a história da literatura, Emily, Chatrlotte e Anne Brontë. Só isso já seria de tirar o chapéu, mas tem também a caixa Cinema Samurai, com seis clássicos chambara, embora alguns filmes sejam mais clássicos que outro. A caixa traz atores míticos – Toshiro Mifune, Tatsauya Nakadai, Chiezo Takaoka e Tetsuro Tamba, mas traz principalmente dois puta filmes. Um deles é A Lança Ensanguentada, de Tomu Uchida, de 1955, e o outro Rebelião, de Masaki Kobayashi, de 1967 e que é, para mim, simplesmente o maior filme japonês de todos os tempos, maior que qualquer Kurosawa, Ozu ou Mizoguchi que vocês tentem tirar da cartolas para tentar me convencer do contrário. O duelo final de Mifune e Nakadai, quando um, deles, dividido entre o dever e a honra, deixa-se matar, mas faz um movimento que prova que é o melhor e poderia ter ganhado, se quisesse, é a coisa mais linda do mundo. Para minha alma de westerner, apaixonado pela grandeza dos derrotados de John Ford, é tudo o que amo no cinema. Tenho prometido voltar a certos filmes ou datas, mas não tenho conseguido. O assassinato de John Kennedy, que propicia um dos belos episódios de O Mordomo da Casa Branca. Sobre Rebelião, terei de voltar – é um dos filmes da minha vida. Mas também quero falar de Uchida, mais até do que da Lança, que é forte, mas não é o melhor filme dele.

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