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Cinelândia e o mar de destroços

Luiz Carlos Merten

02 de outubro de 2013 | 00h00

RIO – Estou deixando o Rio, rumo a São Paulo, porque tenho um compromisso pela manhã com o curso de focas do Estado. Volto à tarde para retomar o festival. Nunca vi o Rio tão caótico. O que este governador e este prefeito estão fazendo não está no gibi. E o caso virou guerra. Quando deixei a sucursal do Estado, na Av. Rio Branco, encontrei um mar de destroços. Vidros por todos pos lados, como num filme de ação de Hollywood. Bancos depredados, comércio  e restaurantes fechados. Por mais legítimas que sejam as manifestaçõpes, está havendo uma escalada de violência. E a polícia não dá trégua. O tempo todo ouvem-se os estouros das bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. Pensei que ia morrer ali na altura da Carioca. Não conseguia respirar. Oh céus. Falei na morte de Giuliano Gemma e não disse que o herói mitológico de Os filhos do Trovão, o pistoleiro de O Dólar Furado e O Retorno de Ringo, morreu num acidente de carro. Lembrei-me de A Morte não Manda Recado, de Sam Peckinpah. O ocaso dos mitos do western – do spaghetti, que seja. Volto amanhã para entrevistar Lee Daniels na quinta. Gostei tanto de The Butler. Está sendo um bom festival. Bons filmes, grandes entrevistas. Gravity, Salvo e ainda não chegou o Guiraudie, Um Estranho no Lago. Amanhã eu volto.

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