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Cine-sauna

Luiz Carlos Merten

02 de novembro de 2014 | 20h00

Desertei do blog durante bem uma semana. Na votação da crítica, na terça passada, muita gente me cobrou a ausência de posts. Respondi que andava vendo muitos filmes, fazendo entrevistas, o material do jornal e, ao invés de postar, estava produzindo para o portal. É meia verdade. Para ser honesto, não gosto desse novo formato do blog, que impede os comentários. Às vezes penso em migrar para outro servidor, em busca de comunicação. As pessoas agora só querem saber de selfs, de twitter, de Facebook. Não é a minha praia e, embora cada vez que abra o blog receba a mensagem de que existem 50 mil comentários (antigos) não lidos, preferia daquele jeito. Volta e meias eu sabia o que Fernando Severo e outros amigos estavam pensando e agora perdi o contato. Fui voto vencido no prêmio da crítica da Mostra. Quer dizer, ao sentir que ninguém queria nem considerar o Retorno a Ítaca de Laurent Cantet, terminei votando no Leviathan de Andrey Svyagintsev, do qual gosto, mas não tanto. Havia entrevistado o diretor em Cannes, e fiquei meio consternado. Todo o horror que ele mostra da destruição daquele cara na Rússia pós-soviética de Putin se faz sob um retrato do atual czar, mas Svyagintsev não apenas se negou a admitir que o filme era contra Putin, como disse que o retrato estava lá porque é o governante de plantão e não poderia ser outro. Ele acrescentou que tinha certeza de que Putin não se sentiria criticado nem atingido. Ai, meu Deus. Mas o filme é bom, reconheço. Quanto ao Retorno, tive de ouvir de alguns jovenzinhos de 40 anos, tão enrugados quanto eu, que tenho 69, que a obra do Cantet é ‘velha’. Enfim… Ah, sim, amei o Detetive D de Tsui Hark, mas a verdade é que não éramos muitos na última sessão do filme na Mostra. Para dar uma geral – reencontrei Geraldine Chaplin, tão encantadora quanto em Brasília. Fui ao Rio num bate-volta para visitar o set de Linda de Morrer, o novo filme de Cris D’Amato, com Glória Pires e a filha Antônia Morais. Fiz, para o portal, uma matéria sobre o Circuito Cinema Inédito Brasileiro do Caixa Belas Artes e hoje fui ver Destricted.br, mas errei o horário e, em vez da coletânea de curtas sobre os limites entre arte, erotismo e pornografia – de artistas e cineastas como Adriana Varejão,. Tunga, Karin Ainouz e Lula Buarque de Hollanda etc -, terminei vendo Nenhuma Fórmula para a Contemporânea Visão do Mundo, de Luis Rocha Melo. Até poderia ter recuperado o Destricted, que era a sessão seguinte, mas o ar estava desligado na sala e eu transpirei como se estivesse numa sauna. Desisti. Agora, vou jantar e, na sequência, quero ver Diane Kurys, Por Uma Mulher.

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