As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cine PE (7)/É hoje!

Luiz Carlos Merten

08 de maio de 2016 | 11h01

RECIFE – Sigo daqui a pouco para o aeroporto e, no começo da tarde, viajo para São Paulo. Não estarei presente à noite na premiação do Cine PE. Embarco amanhã para a França e tenho coisas a resolver em São Paulo, mas fiz questão de ver toda a competição. E, no último dia, apareceu o curador. Rodrigo Fonseca nem me cumprimentou e já veio me dar uma bronca. Uma tal associação de animadores, que nem sabia que existia – existe a de documentaristas; existirá a de autores de ficção, e como se chama? -, aparentemente está furiosa comigo. Nem fui procurar o post, mas devo ter escrito que antes se chamava de desenho o que hoje é animação. Talvez não tenha me explicado bem. Sou, realmente, de um tempo em que se falava dos desenhos da Disney, dos filmes de marionetes de Jiri Trnka, hoje acrescentaria as massinhas de Nick Park. O mais difícil de enquadrar sempre foi o canadense Norman McLaren, que fazia suas animações diretamente sobre a película – pintando, riscando -, e por isso, ele sim, foi sempre chamado de ‘animador’. Não tenho preferências particulares nesse vasto território que compõe a animação, quero dizer, em termos de técnica. Vale/aceito tudo, embora tenha minhas preferências, claro. Historicamente, gosto de O Submarino Amarelo, o psicodelismo de George Dunning, Branca de Neve e os Sete Anões, o expressionismo do velho Walt (conta a lenda que ele exortava seus desenhistas a assistirem a Nosferatu e Caligari) etc. Mais recentemente, talvez decepcione ao dizer que gosto moderadamente de Myiazaki e muito de John Lasseter, mas prefiro Nemo a Toy Story e que minhas animações preferidas das últimas décadas são O Rei Leão e Ratatouille, a melhor de todas. Amo aquele rato que quer ser chef e o desenvolvimento do desenho computadorizado criou uma técnica tão perfeita, eliminando barreiras e fronteiras, que espero não causar escândalo se disser, à maneira de Flaubert, que aquele ser da sarjeta… sou eu! Causou mal-estar aqui no Recife o fato de haver uma animação entre os longas concorrentes, e talvez tenha sido porque a animação em questão – de ‘desenho’ – é infanto-juvenil. Na mesma noite, houve um curta de animação para adultos e o fato de termos aquele infantil no fim de noite, quando não havia crianças na plateia, causou incômodo. Fiz lá minhas restrições às aventuras do Pequeno Colombo, mas não me incomodou que, no espectro da produção brasileira atual – e na sua proposta de abraçar a diversidade -, o Recife tenha aberto esse espaço. Mas é… Qual será a melhor palavra? Desconcertante? …que tenhamos na mesma competição o Pequeno Colombo e Guerra do Paraguay. Os filmes da última noite da competição (sábado) não mudaram nada para mim. Tinha uma expectativa alta pelo longa de Rodrigo Grota, Leste/Oeste, mas ela não se concretizou. O filme que, para mim, justificou a existência do Cine PE em 2016 foi o de Luiz Rosemberg Filho. Gostei (mais) de alguns curtas – o documentário poético Das Águas Que Passam, de Diego Zon, o viscontiano Redemunho, de Marcélia Cartaxo, e o (en)cantado +1 Brasileiro, de Gustavo Moraes. Dada a composição eclética do júri, estou curioso para ver como será a premiação. E a Calunga vai para… Quem? Espero que os jurados (João Batista de Andrade, Guilherme Fiúza, Ingra Liberato, Odilon Wagner e Angelisa Stein) me surpreendam. No bom sentido, por favor.