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Cine PE (4)/Socorro!

Luiz Carlos Merten

06 de maio de 2016 | 10h23

RECIFE – Tenho gostado de alguns curtas e amei o longa de Luiz Rosemberg Filho, Guerra do Paraguay, mas a programação do Cine PE anda muito errática para o meu gosto. Imagino que a organização, e o curador Rodrigo Fonseca – a quem tudo será perdoado pelo filme do Rosemberg -, possam dizer que é o espelho da produção (da diversidade?) nacional, mas isso não resolve nossa problema. E, como sempre, tudo se resume a uma questão de escolhas. Da curadoria, do júri – já estou começando a me preocupar. Que tipo de cinema estará no imaginário do júri deste ano, integrado, entre outros, por João Batista de Andrade e Ingra Liberato? Tenho de admitir que, para o meu gosto pessoal, a noite de quinta (ontem) foi a pior de todas. E olhem que começou promissora. O curta pernambucano – A Vida em Uma Viagem, de Tauana Uchôa, que também dirige o documentário da primeira noite, Não Tem Só Mandacaru – pode ter seu defeitos, ser um pouco tosco, mas sua viagem, que é no tempo, resgata a essência do cinema de Ettore Scola. Tauana é a nossa ‘Scolinha’, e não vai nisso nada de pejorativo, mas, pelo contrário, de amoroso. Cheguei a chorar, vejam só! A noite prosseguiu com a animação O Último Engolervilha, um mosaico de microcurtas comandado por Marão, e O Coelho, de Marcello Sampaio. A proposta de Marão é – cada faz o que quer e vamos ver como fica. O público adorou. Eu, nem tanto. Temer acaba de ser condenado pelo TSE e se tornou inelegível por oito anos, mas isso não o impede de assumir a presidência no caso de um ‘provável’ impeachment da presidente Dilma Roussef. A realidade anda tão absurda que qualquer bizarrice ficcional está perdendo o sentido. Sinto muito dizer ao jovem diretor de O Coelho, mas seu discurso veemente sobre o empoderamento da mulher não tem eco no seu filme. Se é para ser daquele jeito… Meu Deus! Quanto à animação longa, As Aventuras do Pequeno Colombo, de Rodrigo Gava, acho muito saudável que o Cine PE abra espaço para mais essa frente do cinema brasileiro. Antigamente, se dizia ‘desenho’. Hoje é animação, e essa é infanto-juvenil, o que pode ajudar na formação de público etc etc. Só que o filme é o samba do crioulo doido. Nem a imaginação de Stanislau Ponte Preta seria tão delirante na mistura de história e fantasia. Maria do Rosário Caetano gostou do desenho, achou bonito. Eu, nem isso, ou principalmente, não isso.