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Cine PE (3)/Abaixem o volume, por favor!

Luiz Carlos Merten

01 de julho de 2017 | 10h14

RECIFE – Confesso, sorry mas tenho de dizer, que foi minha pior noite no 21.º Cine PE. Sexta, 30. Desci para o café da manhã e fui logo procurar o Zé Luiz, das projeções, para descobrir o problema. Todos os filmes, três curtas e o longa, já eram enfáticos, e com o som estourado – uma gritaria do cão – ficaram no limite do insuportável para mim. Cada um tinha seu valor. Na mostra Pernambuco, O Menino do Canto do Mar, de Ulisses Andrade, resgata o pequeno protagonista do filme de Alberto Cavalcanti, hoje médico – Ruy Saraiva, nome com que é identificado nos créditos, virou Dr. Rildo Saraiva, médico reputado (e Rildo é seu nome de verdade). Cavalcanti, importante diretor brasileiro, foi o primeiro a fazer uma carreira internacional – na Inglaterra, França, Israel etc. Era um formalista e experimentador que fez documentário e, de certa forma, flertou com o neo-realismo, que não tinha muito (ou nada) a ver com ele, em filmes como O Canto do Mar. Gostei de ver imagens do filme clássico, mas Dr. Rildo, quando desata a falar, não para. Foi assim no palco, é assim na tela. Uma edição melhor tornaria o filme mais interessante. A animação Peleja do Sertão, de Fábio Miranda, pelo que contou o diretor no palco, exigiu um esforço épico, de década, para ser concluída. Narra o combate – também épico – de um grupo de retirantes com o lobisomem. A plateia adorou. É pop, tem seus atrativos. O terceiro curta, Mulheres Negras – Projetos de Mundo. A diretora já subiu ao palco protestando, e foi muito aplaudida. Seu nome, Day Rodrigues, consta do catálogo, mas não do folder com a programação, em que o filme é atribuído ao codiretor Lucas Ogasawara. Quando vi o nome, meio que empaquei. Por que, ou como um homem dirigindo um filme sobre mulheres negras? Pelo nome, me pareceu que também fosse negro – é mestiço japonês -, mas de qualquer maneira… Não que fosse impossível, mas, no palco do Cine São Luiz, a própria Day disse que um homem não poderia fazer aquele filme. A falta que Maria do Rosário Caetano faz – teríamos, daqui a pouco, um debate mais animado, com certeza. E veio o longa, único da competição. Crime da Gávea, de André Wanwar, pelo que me contaram, está no Now desde maio. Uma história que até achei interessante, mas contada de um jeito que destrói o próprio material. Tenho de descer para o debate. Posso voltar ao tema depois.

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