As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cine OP (4)/Hora de partir…

Luiz Carlos Merten

26 de junho de 2016 | 10h10

OURO PRETO – Vou embora daqui a pouco, mas não posso deixar de acrescentar mais um post rápido. Enquanto redigia post anterior, citei um filme de Walter Hugo Khouri, e escrevi certo, O Anjo da Noite, mas aí me soou mal. Batia com o filme do Wilson Barros, Anjos da Noite, no plural. Coloquei que o do Khouri era O Anjo do Mal. Errado – é da Noite. A morte e a donzela. Selma Egrei vai trabalhar como babá naquele casarão em Petrópolis, no Rio. Khouri me contava que teve um trabalhão para encontrar a casa com aquela sala cuja moldura formava um caixão (de defunto), do interior. ou me engano muito, ou tem uma cena em que ela se deita e a sensação é de claustrofobia. A babá recebe telefonemas ameaçadores. Hoje, Khouri talvez fosse chamado de racista por causa do personagem de Eliezer Gomes, inesquecível Tião Medonho (em O Assalto ao Trem Pagador, de Roberto Farias). Eliezer faz parte de minhas lembranças indeléveis no cinema brasileiro – Jeanne Moreau cavalgando no lombo dele, metáfora do colonialismo em Joanna Francesa. ‘Vem, moleque lindo/Vem me consolar…’ Lembro-me da polêmica que o filme provocou em Gramado, num dos primeiros festivais, quando eu ia. O Anjo da Noite polarizou o debate com Uirá – Um Índio em Busca de Deus, de Gustavo Dahl, mas ambos, apesar de todas as diferenças aparentes, não diferiam tanto assim, com seus temas existenciais e até metafísicos. Voltei ao Khouri para corrigir a informação sobre o título do seu filme, mas também porque não pude deixar de me lembrar dele, assistindo a Extremos do Prazer. Existem filmes da Boca em que a cafonice agrega certo charme, mas não os filmes sobre personagens teoricamente burgueses. As calças dos homens, bocas de sino e bem justas, na cor branca, para realçar, digamos, a mala. E as mulheres… Khouri, de quem tive o privilégio de ser amigo, desesperava-se. Seu ideal era Michelangelo Antonioni. Monica Vitti, na trilogia da solidão e da incomunicabilidade, usa aqueles tailleurs e pretinhos básicos que, Khouri me dizia, vão continuar elegantes quando não houver mais cinema. E ele com aquelas mulheres malvestidas, mal penteadas, umas roupas de p…, com coloridos e floreados/listrados de mau gosto. Carlão me dá a impressão de quer não se importava com isso. Estava preocupado com o conceito, o diálogo, mas dito de qualquer jeito, como em Extremos do Prazer, não dá. Tive problemas ontem à noite com a internet em meu quarto. Primeiro, não conseguia entrar no blog, depois não conseguia ‘gugar’. Quando acessei o Google, precisava conferir quem era o cineasta nascido há 110 anos, sobre o qual fizera matéria para o Portal (e citara num dos posts de ontem). Billy Wilder! Havia me esquecido. Coloquei no Google – cineastas nascidos em 1906. O primeiro que veio, adivinhem!, foi Roberto Rossellini. E o segundo, Lima Barreto. A data – 23 de junho de 1906. Ou seja, na quinta passada nasceu o diretor de O Cangaceiro. Agora, não dá, mas Lima merece um post. Sôdade, meu bem, sôdade. Foi o primeiro brasileiro premiado em Cannes – e duplamente, em 1953. Melhor trilha e melhor filme de aventuras para o nordestern com Alberto Ruschell, Marisa Prado, Milton Ribeiro e Vanja Orico. Lima Barreto! Me aguardem.