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Cidadão Kleber

Luiz Carlos Merten

19 de dezembro de 2012 | 19h20

Entrevistei há pouco, antes da chuva, Kleber Mendonça Filho, tendo em vista a próxima estreia – no dia 4 de janeiro – de seu longa ‘O Som ao Redor’. Kleber me deu duas informações valiosas – será homenageado com uma retrospectiva de seus curtas em Nova York, e justamente o The New York Times incluiu ‘O Som’ entre os seus top ten do ano, com ‘Holy Motors’, de Leos Carax, e ‘Era Uma Vez na Anatólia’, de Nuri Bilge Ceylan. De minha parte lhe fiz saber que, se o filme estreasse nesta sexta-feira, 21, ou na próxima, 28, teria sido o melhor do ano na APCA, Associação Pauilista dos Críticos de Arte. Tinha meus candidatos na votação, e posso não ter obtido para ‘Sagrado Segredo’ a consagração que acho que o filme de André Luiz de Oliveira merecia, mas não fiquei nem um pouco desgostoso, pelo contrário, com a divisão dos prêmios entre outros filmes que apoiava. Já que não havia clima nem quorum para o ‘Segredo’, investi nos candidatros capazes de mobilizar o colegiado – ‘Cheiro do Rato’, de Cláudio Assis, melhor filme; Eduardo Nunes, melhor diretor, e Mauro Pinheiro Jr., melhor fotografia, por’Sudoeste’; melhor ator, Júlio Andrade,  por ‘Gonzaga – De Pai pra Filho’, de Breno Silveira, Hermila Guedes, melhor atriz, pela Verônica de Marcelo Gomes, e melhor roteiro, ‘Luz nas Trevas’, de Rogério Sganzerla, retrabalhado por sua mulher e autora do film,e, Helena Ignez. Há tempos, sonho com que se introduza na APCA a categoria de filme estrangeiro, mas fico ensimesmado, falando comigo mesmo. É um assunto que bem poderia levar, e talvez leve, à presidência da entidade e ao conjunto dos colegas jornalistas de cinema. Não me agrada nem satisfaz ficar preso ao estatuto da produção nacional, sem abrir os olhos e ouvidos para o outro, o que vem de fora, e nos complementa. Metendo-me no que não sou chamado, quero acrescentar que, ao contrário dos jornalistas de teatro, os de cinema só sed reúnem na hora da votação, e cada vez menos gentye aparece. Os de teatro reúnem-se pelo visto até demais, pois isso forja uma mentalidade coletiva que não enriquece a mídia nem o espectador. No ano passado, já havia achado o ó a escolha de ‘Luiz Antônio e Gabriela’, de Nelson Baskerville, como melhor espetáculo do ano. Pois eles conseguiram piorar este ano com ‘Bom Retiro’, de Antônio Araújo, que não é melhor de coisa nenhuma – exceto engenharia de produção, pois é realmente um esforço colocar aquele bloco na rua, por menos dramaturgia e mise-en-scène que tenha.

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