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Chris Hemsworth, os Russo Brothers, Elza Soares

Luiz Carlos Merten

21 de abril de 2020 | 19h20

Está sendo um dia muito intenso para mim. Acrescentei mais dois títulos aos clássicos do dia – El Cid e Queen Kelly/Minha Rainha. Como cortesia da Netflix, entrevistei Chris Hemsworth e Sam Hargrave, astro e diretor de Resgate/Extraction, que estreia sexta, 24, na plataforma. A Netflix criou uma sala virtual e entrevistei Chris da Austrália e o Sam de Los Angeles. Falei também com os Russo Brothers, que são os produtores (e Joe também é roteirista). Embora isolado, não posso me queixar de tédio no meu confinamento. No fim de semana, passei um sufoco, com dor no ombro esquerdo e formigamento no braço. Cheguei a pensar que poderia estar enfartando. Ontem o Carlos, meu físio anjo da guarda, me exortou a ir ao hospital. Fiz eletro, raio X do tórax e está tudo bem. Distensão muscular, o que credito às lides domésticas, que estão acabando comigo. O cinema continua sendo aliado. Vi ontem no Curta! My Nsme Is Now – Elza Soares, de Elizabete Martins Campos. Elza cantando é uma loucura. O que essa mulher faz com a garganta, a voz, desafia até a ciência. O livro de Zeca Camargo aprofundou o conhecimento. E a gente se queixa! O que ela viveu, sofreu não está no gibi. Restava o estranhamento da persona física. Elza esculpiu para si uma figura de fúria. Uma cena a mostra sendo massageada enquanto canta que a carne mais barata do mercado é a negra. Em outra, é maquiada, preparada para uma aparição pública. Fiquei chapado quando ela narra o desespero que se seguiu à morte do filho e depois conta que encontrou forças para achar tudo engraçado, dizendo foda-se, foda-se, foda-se para as pancadas e humilhações. “Por isso meu nome é now. Parece que nasci agora, tudo meu é agora.” Há sete anos, quando Elizabete captou as imagens, o depoimento, Elza não estava tão por cima, mas já era, sempre foi, uma potência. (Só para constar, o livro é do ano passado, portanto, tudo o que vi ontem, com atraso, era material original, coisas que Elza talvez nunca tivesse dito antes, não com aquela paixão.) Para a diretora, a trajetória da artista é uma ferramenta para refletir a identidade do povo brasileiro. E esses malucos que andam por aí, agitando a bandeira do Brasil, se achando patriotas.

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