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Chaplin

Luiz Carlos Merten

07 de setembro de 2012 | 10h43

BELO HORIZONTE – Foi ontem à noite minha palestra sobre Charles Chaplin no Palácio das Artes. BH abrigou, de 11 de agosto até ontem, a m,aior retrospectiva sobre o criador de Carlitos feita no Brasil. Todo Chaplin. Ele foi um grandes construtores da linguagem do cinema, houve um tempo em que, por sua popularidade, Chaplin, identificado com Carlitos, era sinônimo de cinema. Chaplin não representava todo o cinema, mas todo o cinema estava em Chaplin. Hoje, parece-me que ele anda meio esquecido e até seu pioneirismo tende a ser relegado a segundo plano, face a Griffith, aos expressionistas alemães, a Eisenstein. Foi o que falei, e também sobre o Chaplin dos meus amores. Os Chaplins – ‘Em Busca do Ouro’, ‘Luzes da Cidade’, ‘O Grande Ditador’, ‘Luzes da Ribalta’. No final da palestra, reencontrei minha amiga Francesca, que já começou seu trabalho de preparação vocal dos integrantes do Grupo Galpão que vão fazerr a montagem de ‘O Gigante da Montanha’. Gabriel Villela, o grande diretor de teatro de quem tenho o privilégio de ser amigo, vai reinventar Pirandello. Bacana. Estou neste momento postando nos computadores do lobby do Hotel Othon, na Afonso Penna. Lá fora, está o maior tumulto, a parada militar de 7 de Setembro, um monte de gente. Não posso deixar de pensar no filme de Ugo Giorgetti que estreia hoje, ‘Cara ou Coroa’, que usa uma companhia de teatro sob o regime milçitar para retratar o clima de época em 1971. A censura corria solta, os atores do Living Theatre foram presos em MInasd – Ouro Preto – e, na ficção de Giorgetti, o dramatirgo da companhia, namorado da filha de um general, escolnde no pirão da casa do sogro dois ‘subversivos’, para usar o jargão da época. No final, há uma sugestão de que o general talvez soubesse de tudo. Walmor Chagas é quem faz o papel, mas o próprio Walmor, na entrevista que me deu para o ‘Caderno 2’, disse que o gtrande destaque do elenco é Otávio Augusto. “Otávio não é problema, Otávio é solução”, me disse Ugo. “Ele faz bem qualquer personagem.” Eram outros tempos, anos duros, de chumbo, que a Comissão da Verdade agora tenta/pretende exumar. Essa parada, essa euforia popular me causam estranhamento. Daqui a pouco o carro me apanha para levar ao aeroporto. Tenho matérias para fazer à tarde, na Redação do ‘Estado’. O único jornal disponível aqui no hotel era a concorrência. Na capa da ‘Ilustrada’, meu amigo Rodrigo Salém saúda o retorno de David Cronenberg à linha mais experimental de seu cinema, em ‘Cosmópolis’. Lá dentro, a se julgar pelo título er cotação, ótimo, Inácio Araújo vai pela mesma linha. Estou na contramão deles. Ótimo para o Giorgetti – com para ‘Totalmente Inocentes’, a paródfia de favela molvie de Rodrigo Bittencourt – e regular para Cronenberg. Prefiro qualquer um dos três filmes que ele fez com Viggo Mortensen, embora o melhor seja ‘Senhores do Crime’. E quanto ao experimentalismo… O mundo, o anticapitalismo, cabem na limusine  na qual trafega Robert Pattinson. Inácio não viu, Rodrigo, sim, mas o mundo na limusine e o experimentalismo cabem muito msais naquele filme de Leos Carax, também em Cannes, do qual me escapa agora o título. Se Cronenberg é experimental, o que é Carax? A vanguarda da vanguarda? Para ‘Cahiers du Cinéma’, Carax foi o top de linha do último Festival de Cannes. Não entro nessa, o filme me desconcerta mais do que agrada, mas Carax com certeza relativizou Cronenberg para mim e interrompeu minha lua de mel com o diretor. É curioso – quando Cronenberg lhe propôs o papel do enfant gaté do (neo)capitalismo, Pattinson hesitou e, depois, como ele próprio revelou em Cannes, ficou se sentindo um covarde, um merda. Em Cannes, para todos os efeitos, Kristen Stewart e ele ainda estavam juntos. Não me flagrei de uma coisa, que só agora, retrospectivamente, avalio. Não que a dupla de astros de ‘Crepúsculo’ seja 10 para mim, mas ela,. falando do diretor de ‘Branca de Neve e o Caçador’, colocou o cara nas nuvens, disse que ele a fez encarar desafios, a descobrir nela coisas que nem sabia. Em geral, sou bom farejador, mas me passou despercebido e logo em seguida estourou o escândalo da ‘traição’. O m…, como o próprio Robert Pattinson se definiu, estava travando a bela. Kristen queria mais. Ela já estava nua na estrada de Walter Salles e fazendo sabe-se lá o quê no set de ‘Branca de Neve’. Peguei uma lateral e me desviei do assunto. Talvez, se revir ‘Cosmópolis’ dissociado do filme de Carax – como é que se chama mesmo? -, eu goste mais. Prometo revê-lo no fim de semana, de volta a São Paulo, mas antes preciso ver ‘Os Mercenários 2’. É uma cobrança dos leitores do ‘Estado’. O jornal ignorou o lançamento. Estava viajando na época da cabine. Pois é, somos tantos e estava todo mundo ligado no ‘Fausto’. He-he.

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