As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Celebração

Luiz Carlos Merten

26 Janeiro 2015 | 11h01

TIRADENTES – E o sindicato dos produtores escolheu Birdman como melhor filme do ano, Como, nos últimos 24 anos da premiação, 17 dos escolhidos ganharam também o Oscar da categoria, o filme de Alejandro González-Iñárritu ficou fortalecido em sua disputa pelo prêmio da Academia, mas ainda é cedo para cravar que ele seja o favorito. Birdman transita entre o universo de super-herois do cinema e o teatro, nesse sentido tendo algo a ver com O Caminho das Nuvens, de Olivier Assayas, que meu amigo Dib Carneiro ama tanto, mas eu sempre digo que é por causa do teatro. Ontem, jantamos com Rodolfo Vaz, ex-Galpão, e a mulher dele, a Fernanda. Foi ótimo. Eles também viram e amaram o Assayas, mas é todo mundo gente de teatro. Só por isso? Nãããooooo! Encontrei Enéas de Souza, um dos meus mentores, jurado aqui na Mostra Aurora e ele me disse que tinha gostado do Assayas, mas aí foi rever e amou. Gostei do filme em Cannes, mas me pareceu um Assayas só bom. Quem sabe revendo eu gosto mais? O problema agora é quando. Emendo Tiradentes com Paris e Berlim, cujo festival começa dia 5 (de fevereiro). Tenho daqui a pouco um debate sobre Obra e agradeço por ter revisto o filme de Gregório Graziosi ontem à noite. Foi a terceira vez que vi Obra e, no pós Lava-Jato, o filme ganhou uma outra leitura, uma outra dimensão. Tudo já estava lá, claro, a revelação como o encobrimento dos fatos, mas agora é diferente. A ficção de alguma forma virou realidade. Gregório e a produtora Zita Carvalhosa deviam aproveitar e lançar logo o Obra. Vi ontem na praça O Dia do Galo. Adoro esses filmes que transformam jogos decisivos, no caso Atlético e Olimpia pela Libertadores, em jornadas épicas. Independente de ser Galo, que não sou, é impressionante como, ao contrário de outras pessoas (e alguns colegas), meu amor pelo cinema é maior que pelo futebol – exceto em jogos da seleção na Copa – e eu entro no clima torcendo como num filme de ação, ou suspense. Se o diretor é bom, me leva. O Dia do Galo acompanha personagens muito diversificados e interessantes. Um padre, uma vovó, as netas, um burocrata, um velho garçom, um narrador esportivo. O sentimento desse povo comanda o nosso, de espectadores. Vi o filme na praça, com um público que comemorava os gols como se estivessem ocorrendo na hora. Foi uma celebração. Se era o que queriam os diretores Cris Azzi e Luiz Felipe Fernandes, conseguiram.