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Celebração de Al Pacino

Luiz Carlos Merten

22 de abril de 2015 | 10h45

Havia somente dois filmes com sessões lotadas quando cheguei ontem no Shopping Bourbon para jantar e ver Não Olhe para Trás com meu amigo Dib Carneiro. Um deles era a Cinderela de Kenneth Branagh, que virou fenômeno, e o outro… Casa Grande! Aleluia! Nada me alegra mais que saber que o belíssimo filme de Fellipe Barbosa poderia/poderá virar um estouro de bilheteria. Não precisa nem estourar, mas se continuar sendo bem visto e se o público pensar um pouco (um pouco que seja) no que está vendo, já ficarei feliz pelo diretor e sua equipe, incluindo, claro, a atriz Clarissa Pinheiro, que o júri do Festival do Rio, no ano passado, criminosamente esqueceu. Mas o post é sobre Não Olhe para Trás. Fiz uma pesquisa outro dia na rede para descobrir quais filmes haviam estreado. Fiz na corrida, porque o programa da rádio já ia começar e encontrei que o filme com Al Pacino era dirigido por Danny Collins. Não fazia a menor ideias de quem era, e nem podia. Danny Collins é o nome do personagem, o diretor é Dan Fogelman e esse eu conheço. É diretor e roteirista de animação e live action. Escreveu Carros  e Enrolados, e escreveu e dirige o longa com Pacino, bem melhor do que aquele Último Ato que arruina o livro de Philip Roth, A Humilhação. Fui procurar de novo as reações dos coleguinhas a Não Olhe paras Trás e não encontrei muita simpatia. As críticas são as de sempre – muitas subtramas, excesso de subtramas, o que me leva a Yasujiro Ozu. Sempre! Viagem a Tóquio é sobre um casal de velhos que vai visitar os filhos, que não têm tempo para eles. Só isso, mas aí, e naquele estilo minimalista dele, Ozu abre o arco e conta a história de cada filho, as ligações entre eles, os netos, a doença da mãe etc. Provavelmente, se lhe tivessem perguntado por que tanta coisa ele diria – é a vida.  Não acho Não Olhe para Trás perfeito nem um grande filme, mas quero dizer que tive imenso prazer em ver Al Pacino, como há muito tempo não tinha. Ele faz o cantor e compositor que vive de glórias passadas, repetindo-se em shows para seu público da terceira idade que quer ouvir sempre as mesmas músicas. Seu manager lhe dá de presente uma carta que resgatou de um colecionador, escrita por John Lennon há 30 anos, com conselhos para o ‘jovem Danny Collins.  Ele entra em crise e, somado ao fato de que faz algumas descobertas sobre a amante jovem, resolve procurar o filho que nunca conheceu. O cara, Bobby Cannavale, tem uma família unida, mas que é só problema. No hotel em que se hospeda, Danny/Pacino conhece Mary/Annette Bening. Achei a química de Pacino e Benning gloriosa, e o mesmo posso dizer de Pacino e Cannavale como pai e filho. Gosto muito do estilo ‘bronco’ de Cannavale, que foi o Kowalski de Woody Allen em Blue Jasmine. A neta com déficit de atenção – a versão light do filho de Mommy – é deliciosa e sei que meio mundo acha Jennifer Garner careteira, mas quando a sra. Ben Affleck chora, eu choro junto. É fato. Ocorre em todos os filmes que vejo com ela. Devo ser seu fã número um, senão o único. Um diretor mais ousado que Fogelman teria terminado o filme uma fala antes (vocês vão entender quando virem, ou se já viram) e, para o meu gosto pessoal, a carta que desencadeia tudo teria de ser falsa. Levantei a lebre para o Dib, que é dramaturgo, e ele ficou matutando algumas ideias. Seria realmente mais interessante (e complexo). Isso posto, adorei Não Olhe para Trás. O filme é leve, engraçado, melodramático – no sentido estrito, ‘putting melos into dramma’. Se não me engano, Perfume de Mulher será o clássico remasterizado dessa semana nas sessões do Cinemark. Vamos ter de voltar a Pacino.

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