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Casadentro

Luiz Carlos Merten

21 de outubro de 2013 | 15h10

LOS ANGELES – Aqui estou, desde ontem. Vim num bate/volta para entrevistar Harrison Ford e o diretor Gavin Hood, de Ender`s Game. O filme baseia-se numa serie de livros. Sei que o primeiro, pelo menos, foi editado no Brasil. Vi ontem a noite e estou impossibilitado de falar. Hah um embargo que precisa ser discutido com a Paris Filmes, no Brasil, mas jah antecipo que vi alguma coisa de kubrickiano, para escandalo do Zanin, que ainda nao deglutiu o fato de eu ter comparado o desfecho de Gravidade a abertura de 2001, Uma Odisseia no Espaco. Volto a Kubrick, nao para polemizar – o que me importa o que os outros veem? Para isso tenho o meu olhar, quem quiser que me acompanhe -, mas porque no texto de ontem do Caderno 2, a entrevista com a viuva do grande director, Christiane me disse mais uma coisa que nao consegui encaixar na materia. Comentei com ela que todo mundo devia lhe cobrar um livro sobre seus 41 anos com Stanley. Ela me disse que recebeu muitas ofertas para escrever o tal livro, mas nao eh uma escritora e, para escrever um livro qualquer, sem a qualidade literaria que o marido e ela merecem, seria simplesmente `gossip`, fofoca, e isso seria indigno de ambos. Admirei-a ainda mais por isso. No sabado, antes de embarcar, havia reunido as filha de Sam Fuller, Samanta, e Francisco Lombardi, Joanna. Empaquei no nome do director peruano e tenho a impresao de que escrevi, no outro dia, que era Fernando. Sorry. As duas tem filmes na Mostra e o de Joanna, Casadentro, achei um assombro. Embora ela jah tenha passado dos 30 anos, eh muito jovem para fazer um filme com aquela acuidade e visao sobre uma velha numa casa. Casadentro versa sobre o que? Eh um filme sobre nada, portanto, sobre tudo. A velha na casa, com seu cachorro e duas domesticas. Nada especial, nenhuma historia. A velha eh teimosa (claro!), a domestica mais velha reclama que a TV nao funciona, a jovem quer sair com o namorado. Chegam a filha, a neta e o genro para comemorar o aniversario (70 anos) de Dona Pilar. A filha, Patricia, obviamente, detesta o cachorro. Chega a sugerir a mamah que estah na hora de trocar o animal, mas a velha, sabiamente, trocaria de filha, ser fosse o caso. Fiquei chapado. Por meio de frases banais e uma mise-en-scene cirurgica, Joanna Lombardi fala de familia, expoe antagonismos sociais e psicologicos. Hah um bebe, que nao mama do peito. Sem que sejam feitas agressoes explicitas, isso basta para que aflore todo tipo de prec onceito e ateh ressentimento. De repente, Patricia estah cobrandfo que nao foi amamentada pela mae, mas que a outra filha, que nao aparece, pode ter sido. O que eh o cinema? Vao ver, eh a Joanna Lombardi. Mas ah, sim, vou ter de admitir. No sabado, no Arteplex, depois de assistir a Casadentro numa sessao de imprensa, havia um pessoal daFolha distribuindo o Guia da MOstra. Peguei, ateh para facilitar a pesquisa aqui no exterior. Dei uma olhada no aviao. Descobri, o que me passara despercebido, que hah um filme em episodios e um deles eh assinado por Victor Erice. Hah outro, 3X3D, que erstava em Cannesa, e lah um dos episodios eh de Jean-Luc Godard. Nao sou louco de nao reconhecer a importancia de Godard, mas nao resta muita coisa dele de que goste de verdade, enquanto Erice… O Espirito da Colmeia e El Sol nel Membrillo estao entre os filmes da minha vida. Jah estou nos cascos para ver, quando voltar, com o Miss Violence, que esse terah nova sessao na quarta, quando jah estarei aih, espero. E nao se esquecam de Sao Silvestre, da LIna Chamie, no vao livre do Masp, hoje a noite. Eh maravilhoso.

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