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Carrie/Leia, nossa princesa favorita

Luiz Carlos Merten

25 Dezembro 2016 | 09h36

PORTO ALEGRE – Havia momentos bem bonitos em Star Wars – O Despertar da Força. Tudo o que envolvia o robozinho BB-8, certas cenas de Daisy Ridley, apesar da alarmante falta de química entre John Boyega e ela, mas os melhores, para um velho ‘fordiano’ como eu, foram o reencontro de Han Solo com a princesa Leia, Harrison Ford e Carrie Fisher, e o momento mágico – a mitologia de Star Wars – em que a garota encontra o agora velho Luke Skywalker, Mark Hamill. Sei que tem gente que acha tudo isso uma bobagem, mas eu, que já tinha mais de 30 quando surgiu Guerra nas Estrelas, embarquei naquela saga e curti intensamente O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. São filmes que fazem parte do meu Olimpo. Carrie Fisher! A princesa favorita de todo o mundo, segundo Peter Mayhew, o Chewbacca. Peter quem? É incrível como certos personagens transcendem seus criadores. Carrie! Leia! A atriz teve ontem um ataque cardíaco dentro de um avião, no voo Londres/Los Angeles. A vida imita a arte. Jane Fonda também teve aquele ataque no avião de Juventude/Youth, de Paolo Sorrentino. Carrie não está nada bem, e seu estado continua crítico, informou seu irmão, que pediu orações por ela. Só se rezar ao Deus do cinema, que nem sei qual é, mas deve haver. Carrie Fisher estreou em 1975, no filme Shampoo, de Hal Ashby, mas ninguém prestou muita atenção nela – todos os olhares estavam concentrados em Julie Christie, Warren Beatty e Goldie Hawn. Ela fez a mulher misteriosa de Os Irmãos Cara de Pau, O Homem do Sapato Vermelho (com o jovem Tom Hanks), Garbo Fala (de Sidney Lumet) e Hannah e Suas Irmãs, na melhor fase de Woody Allen, mas no imaginário de todo o mundo nada disso conta muito e Carrie só é lembrada como a princesa Leia de Star Wars. Filha da também atriz Debbie Reynolds, de Cantando na Chuva, Carrie foi drogada, não sei se viciada em sexo, mas teve uma vida (tem?) bem animada nesse quesito, feliz dela e de seus parceiros. Chegou a ser diagnosticada com transtorno bipolar. É uma sobrevivente. Colocou tudo isso em livros, peças. É respeitada como dramaturga, escritora, roteirista. Foi interpretada por Meryl Streep em Lembranças de Hollywood/Postcards from the Edge, baseado em sua relação tumultuada com a mãe, Debbie – e no filme Shirley MacLaine era a mãe megera. Escreveu também Wikshful Drinking, que virou show de sucesso, e o livro é muito engraçado, cheio de piadas mordazes inspiradas na própria vida familiar – o pai, Eddie Fisher, largou da família para um efêmero casamento com Elizabeth Taylor. Enfim, Carrie é atriz e personagem. ‘Nossa’ princesa, e antes de Episódio VIII, em dezembro de 2017, ela aparece fugazmente em Rogue One, Uma História Star Wars. Carrie estava em Londres justamente participando do lançamento de um novo livro, seu diário como a princesa Leia. Espero que seja publicado aqui, mas que não saia postumamente. Longa vida a Carrie/Leia. Apesar das loucuras que minaram sua saúde, espero que o DNA da mãe a tenha blindado. Debbie já passou dos 80, entronizada como ‘american legend’.